Maceió

Morre o jornalista e historiador Lauthenay Perdigão

Bruno Soriano | 17/08/21 - 16h47 - Atualizado em 17/08/21 - 19h37
Lauthenay Perdigão reuniu, no Museu do Esporte, vasto acervo da memória esportiva alagoana e nacional | Arquivo/Agência Alagoas

Morreu, nesta terça-feira (17), o jornalista, historiador e curador do Museu dos Esportes Edvaldo Alves Santa Rosa (Dida), Lauthenay Perdigão. Lau, como era carinhosamente conhecido, notabilizou-se pela vasta coleção sobre a história do desporto alagoano e nacional, o que o levou a expor uma série de registros e verdadeiras relíquias, especialmente do futebol local, no museu localizado no Estádio Rei Pelé, em Maceió.

O museu segue fechado a visitações em virtude da pandemia da Covid-19, período em que o jornalista teve de se afastar das atividades para cuidar da saúde. Lauthenay tinha 86 anos e precisou ser novamente hospitalizado na última quinta-feira, vindo a óbito cinco dias depois. Cardiopata e renal crônico, o jornalista foi acometido pela doença de Parkinson e também sofria do Mal de Alzheimer. A família informou que o velório acontece na capela 3 do Campo Santo Parques das Flores, em Maceió, onde Lauthenay será sepultado às 11h desta quarta-feira (18).

Em 2019, Lau foi homenageado pelos jornalistas Mário Lima e Wellington Santos com a obra “Dom Lauthenay, um Quixote do Esporte Nacional – vida, obra e luta do guardião da memória esportiva alagoana e brasilaira” (foto abaixo). Publicado durante a 9ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, o livro narra, em 480 páginas, a trajetória de Lauthenay e traz fatos marcantes de sua relação com a história do esporte nacional. 

Lauthenay ficou conhecido, ainda, pelo seu trabalho social. Ele foi o idealizador do Campeonato das Comunidades Carentes, que reunia, nos campos de futebol da orla lagunar, centenas de crianças e adolescentes de vários bairros de Maceió. A iniciativa, inclusive, inspirou a Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude (Selaj) a criar, em 2017, a Taça das Grotas.

O historiador escreveu cinco livros, foi eternizado no Hall da Fama do Estádio Rei Pelé e também deu nome à Vila Olímpica Lauthenay Perdigão - inaugurada, em 2010, durante solenidade com a presença do então ministro do Esporte, no Conjunto Village Campestre, parte alta da capital.

Para o também jornalista Wellington Santos, Lauthenay continuará sendo “nossa maior referência”. 

“Tenho gravada, por ocasião das muitas matérias que pude escrever sobre o meu amigo Lau, a frase de um colega que dizia que, se não fosse este senhor [Lauthenay], nós simplesmente não teríamos arquivo do esporte em Alagoas. E é exatamente isso. Lauthenay foi uma pessoa extremamente zelosa, gentil e inspiradora, tendo dedicado mais de cinquenta anos de sua vida à memória do esporte. Portanto, deixa um legado maravilhoso para todos nós”, afirmou Santos, recordando o empenho do historiador para montar e manter o museu, o que o levou, inclusive, a leiloar uma camisa que Pelé usou a fim de angariar recursos para aquele espaço.