Maceió

MPF pode pedir fim do sigilo da investigação sobre tremor no Pinheiro

Assessoria MPF | 16/01/19 - 07h51 - Atualizado em 17/01/19 - 15h30
Piso de apartamento mo Pinheiro cedeu ontem | Cortesia

Informações desencontradas acerca dos reflexos provocados pelo tremor de terra ocorrido em março de 2018 no bairro do Pinheiro e adjacências, em Maceió, levaram o Ministério Público Federal em Alagoas a acompanhar a situação das áreas atingidas, desde o mês de maio do ano passado. O MPF também analisa o sigilo decretado no processo e, caso entenda inadequado, poderá retirá-lo.

A fim de apurar os impactos ambientais do tremor, com epicentro registrado no bairro do Pinheiro, e reflexos em bairros circunvizinhos (Serraria, Farol, Mutange, Bom Parto, Bebedouro) e em edifícios de bairros mais distantes (Jatiúca e Cruz das Almas), o MPF/AL instaurou inquérito civil sob o n. 1.11.000.000649/2018-29. Desde o acontecido, várias reuniões foram realizadas com técnicos e órgãos de fiscalização, com a participação dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, a fim de acompanhar os resultados preliminares dos estudos, até o momento inconclusivos.

Estudos sobre a exploração de sal

Inicialmente, os trabalhos de levantamento e acompanhamento da situação se deram por meio do Ministério Público Estadual (MP/AL), que determinou instauração de Procedimento Administrativo e realizou reunião de trabalho, em 20/04/2018, na sede da Prefeitura de Maceió, no bairro de Jaraguá, com participação de representantes do MPF/AL, da Defesa Civil (estadual e municipal), além de diversos órgãos e de especialistas da UFRN.

Na ocasião, apontou-se dentre as possíveis causas a exploração de sal pela Braskem, o que importaria consequentemente, caso confirmada a hipótese, em competência federal para o caso, o que motivou o acompanhamento ministerial conjunto. No entanto, no primeiro relatório de visita técnica do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) não foi possível detectar a real causa dos tremores e nem aparente ligação da atividade de exploração mineral com o episódio, em virtude da não utilização de explosivos na extração de soda cáustica em camadas salíferas, consequentemente não emitindo ondas de choque que poderiam ser ligadas ao sismo registrado e sentido pela população.

Em 12 de junho de 2018, o MP/AL encaminhou cópia de documentos relativos à recomendação expedida à Prefeitura de Maceió e ao Governo do Estado de Alagoas, para adoção das medidas aconselhadas pelo Serviço de Geologia do Brasil – CPRM e pelo Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, contidas nesse primeiro relatório, o qual não determina nenhuma causa específica para a ocorrência do tremor, mas aponta medidas de proteção aos cidadãos.

Hipóteses

Levantamento do Laboratório de Análises Estratigráficas do Departamento de Geologia do Centro de Ciências Exatas e da Terra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, aponta três supostas hipóteses para o tremor e as rachaduras no bairro do Pinheiro:

1) o carreamento de sedimentos em camada arenosa, com aproximadamente 30 metros de profundidade, e atualmente utilizada para escoar os inúmeros sumidouros instalados por toda a cidade, potencializado durante eventos pluviais mais intensos;

2) o aparecimento de uma dolina (depressão no solo), gerada pelo abatimento do teto de cavernas de produção de sal;

3) pela localização do bairro em uma área tectonicamente ativa, que atualmente mostraria uma tendência à subsidência (afundamento). Não há, contudo, nenhum apontamento conclusivo.

Ainda, o Relatório de Danos n. 0001/2018, elaborado pela Defesa Civil do Município de Maceió, traz o mapeamento das fissuras nos imóveis situados no bairro do Pinheiro, por uma extensão de 300 metros, apontando os danos aos moradores que tiveram de ser evacuados das suas residências, diante da possível iminência de novos tremores.

Também sem conclusão efetiva, o Relatório Sintético sobre a instabilidade de terreno no Bairro do Pinheiro, realizado pelo Departamento de Gestão Territorial (DEGET) - Serviço Geológico do Brasil (CPRM), apontou que não haveria evidências claras para determinar a causa ou causas da instabilidade do terreno, recomendando, em síntese, interdição de moradias mais severamente comprometidas, ampliação de monitoramento da área, cadastramento de todos os moradores, desenvolvimento de estudos de vulnerabilidade estrutural das áreas de influência dos processos e implantação de drenagem urbana e canalização do esgotamento sanitário.

Assim, por tudo o que já foi exposto – na imprensa e nos relatórios técnicos – o MPF mantém-se atento à situação do bairro e à aflição de seus moradores. Nos próximos dias participará de reuniões no âmbito tanto do procedimento que averigua os danos ambientais, suas causas e efeitos, como do procedimento que acompanha a situação dos cidadãos diretamente impactados.