Polícia

'Não tem condições de ter sido acidente ou surto', rebate pai de soldado morto por sargento em SE

Eberth Lins | 26/09/20 - 07h00 - Atualizado em 26/09/20 - 08h24
Foto: Reprodução

Passados sete dias da morte do soldado Cristyano Rondynelli Gomes Melo, vítima de arma de fogo, familiares concentram esforços para cobrar justiça. Eles rebatem a versão de que foi apenas um acidente, apresentada em nota à imprensa pelo advogado do suspeito, o sargento José Matias da Silva. 

Cristyano Rondynelli foi morto no sábado (19) por um colega de trabalho, o sargento José Matias da Silva, após deixarem uma festa e supostamente se desentenderem, na cidade de Monte Alegre, em Sergipe.

Nesta sexta-feira (25), o pai do soldado, José Antônio de Melo conversou com o TNH1 e se disse indignado com a nota enviada pela defesa do sargento Matias, que alega ter sido um acidente e que o suspeito teria sofrido um surto. Não tem condições de ter sido acidente ou surto. Não existe possibilidade de ter quatros pessoas dentro de um automóvel e um deles ser atingido pelo colega na cabeça", afirma José Antonio, que também é militar.

De acordo com o pai do soldado, é de conhecimento da comunidade militar sergipana que o sargento Matias tem histórico de violência. "Ele é acostumado a se envolver em arruaças e não é a primeira vez que ele atira em alguém. Não sei como a Polícia Militar de Sergipe ainda permite que esse homem esteja na ativa", disse.

O sargento José Matias chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado no dia seguinte, após assinar um Termo de Compromisso de Comparecimento. "Uma injustiça total. Ele matou um companheiro, um colega de trabalho. Meu filho era um homem bem quisto, querido em toda a polícia de Sergipe. Esse homem é um bandido", acrescentou o pai da vítima revoltado.

José Antônio de Melo também questiona a alegação de insanidade, defendida pela defesa do suspeito pelo crime. "Nunca deu entrada em clínica nenhuma. Se tem insanidade estaria afastado, mas ele estava na ativa trabalhando e é sabedor do que fez. Se estivesse doente estaria em casa ou internado e não trabalhando para a sociedade. Ele tem fama de atirar nas pessoas embriagado e essa história de insanidade é uma mentira", afirma.

"Estou muito indignado com o fato da justiça dar liberdade para esse 'mal elemento'. É muito doído para a família perder um ente querido e ouvir essa alegação de insanidade", complementou.  O soldado Cristyano Rondynelli tinha 34 anos e atuava na Polícia Militar do Estado do Sergipe desde 2015. Ele deixa esposa e dois filhos pequenos.

O TNH1 também conversou com o advogado Edson Alexandre da Silva, responsável defesa do sargento Matias. Confira a nota na íntegra.