O cantor Natanzinho Lima, de 23 anos, revelou em entrevista que utiliza psicoestimulantes de tarja preta, como o Venvanse, antes de suas apresentações, o que levanta preocupações sobre a saúde mental e física dos artistas na indústria musical.
Ele admitiu ter começado a usar anfetaminas aos 12 anos, citando um histórico familiar relacionado ao uso de substâncias, e mencionou um episódio em que combinou o medicamento com álcool e cigarros, resultando em arritmia.
A agenda do artista inclui 22 shows em maio, com várias apresentações em um único dia, o que destaca a pressão intensa enfrentada pelos músicos, enquanto sua assessoria não se pronunciou sobre a supervisão médica para o uso da medicação.
O cantor Natanzinho Lima, de 23 anos, revelou fazer uso de psicoestimulantes de tarja preta antes de suas apresentações.
A declaração foi dada em entrevista ao podcast Podpah, transmitida ao vivo na noite da última quarta-feira (20).
Na ocasião, o apresentador Thiago Soares, conhecido como Mítico, comentou que já viu vídeos do artista se apresentando em até três lugares diferentes no mesmo dia e, na sequência, indo direto para um bar.
O artista sergipano minimizou o cansaço e admitiu o uso da dosagem mais forte da medicação:
"É normal, é normal. Dos virote... é normal. É que eu tomo a pílula, tá ligado? Tomo a pílula antes do show. O Venvanse. O primeiro que eu tomei foi o de 70mg. Ave maria. Esse negócio é 'massa' demais. Dá uma vontade de viver, uma alegria tão grande."
Remédio é tarja preta e indicado para tratamento de TDAH
O Venvanse (dimesilato de lisdexanfetamina) é um medicamento de tarja preta com forte ação no sistema nervoso central.
Vendido em cápsulas de 30mg, 50mg e 70mg, ele é estritamente indicado para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) e do Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA) em adultos, exigindo retenção de receita médica para a compra.
'Tomei meu primeiro rebite com 12 anos'
Na mesma entrevista, o cantor justificou a familiaridade com estimulantes citando o histórico de sua família.
Ele revelou ter tomado "rebite", uma anfetamina sintética utilizada ilegalmente por motoristas para inibir o sono, pela primeira vez aos 12 anos de idade.
Ele ressaltou ter consumido a substância cinco vezes ao longo da vida.
"Minha família é caminhoneira. E a pílula dos caminhoneiro é outra, posso falar? É o rebite. Eu tomei a primeira vez eu tinha 12 anos. Na minha vida toda, eu tomei cinco vezes. Lá é normal. Mas depois foi morrendo os caminhoneiro na minha família. Que Deus os tenha", disse.
Durante a conversa, Natanzinho Lima relatou um episódio em que combinou o medicamento de 70mg com bebidas alcoólicas e cigarros em uma festa particular na casa da dupla Henrique e Juliano.
"Fumei uns 15 cigarros e eu nem fumo [normalmente]. Cheguei no outro dia e o coração doendo. A boca seca, o pulmão... e uma arritmia do cão [forte]. Eu disse: eu vou morrer hoje!"
De acordo com diretrizes médicas, o uso inadequado de anfetaminas e derivados pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, resultando em episódios agudos de taquicardia, oscilações severas na pressão arterial, colapsos cardíacos e, em casos extremos, morte súbita.
22 shows e seis 'dobradinhas' em maio
A declaração do cantor joga luz sobre um debate recorrente no mercado da música brasileira: a rotina exaustiva de shows, que muitas vezes exige que artistas cruzem estados para fazer múltiplas apresentações no mesmo dia.
A agenda do próprio Natanzinho Lima ilustra esse cenário.
Em publicação recente nas redes sociais detalhando seus compromissos para este mês de maio, a equipe do artista confirmou 22 apresentações em oito estados.
Desse total, 12 apresentações serão divididas em seis "dobradinhas" por diferentes cidades.
Procurada pelo g1 para esclarecer se o artista possui diagnóstico médico para o uso da substância ou se conta com acompanhamento profissional para gerenciar a rotina de saúde, a assessoria de imprensa do cantor não enviou um posicionamento oficial até o fechamento desta matéria.
O espaço segue aberto.
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