Futebol

Nossos craques: buscando se firmar na carreira, Ytalo ganha mais uma chance no mundo da bola

Jogador alagoano, em atuação no São Paulo, é o segundo entrevistado da série especial do Pajuçara Futebol Clube.

02/07/16 - 08h41 - Atualizado em 03/07/16 - 15h43

Atacante técnico, de bom passe e com faro de gol. Estas são algumas das características que o maceioense Ytalo José Oliveira dos Santos, ou simplesmente Ytalo, cria da base do Corinthians-AL. Promissor, o jogador chegou ao profissional com apenas 17 anos, e depois de uma temporada, foi vendido para o futebol português. Lá, ganhou experiência, e após idas e vindas, hoje representa um dos maiores clubes do Brasil, o São Paulo.

Um dos melhores jogadores do Campeonato Paulista deste ano, Ytalo conseguiu dar um “upgrade” em sua caminhada no mundo da bola. Com o pequeno e ousado Audax-SP, o atacante se destacou dentro de campo e teve uma nova oportunidade em um grande time do país, o São Paulo. No tricolor, o jogador também desempenha a função de meio-campista, e muitas vezes atua na posição de Paulo Henrique Ganso, um dos craques da equipe.

O atleta de 28 anos teve a quem puxar. Ytalo vem de uma família de ex-jogadores, como o ex-atacante Capitão, que acumulou passagens pelo Fluminense-RJ, Grêmio-RS, Remo-PA e Bahia, durante a sua trajetória no esporte. Se não bastasse, ele ainda é sobrinho do ex-meia-atacante Jean Carlos, um dos grandes nomes da história do CRB. Apesar da ligação com o futebol vir de berço, o alagoano teve que buscar o seu espaço dentro das quatro linhas.

No ano de 2013, devido a problemas de saúde com o alcoolismo, o jogador pensou em abandonar a carreira prematuramente. Mas ele conseguiu dar a volta por cima e atualmente figura na Série A de Campeonato Brasileiro. Ytalo conversou com o portal TNH1, e é mais um entrevistado da série “Nossos Craques”.

Confira a entrevista na íntegra:

Como foi o seu início no futebol na base do Corinthians-AL? Você chegou lá com quantos anos?

Cheguei ao Corinthians-AL com 14 anos e minha trajetória na base sempre foi de marcar muitos gols. Tive a sorte de atuar em uma geração campeã, pois o nosso grupo era muito bom, então ganhávamos todos os títulos alagoanos que disputávamos. Apesar da pouca idade, quando cheguei já fui direto para a categoria juvenil, e logo depois, para o time júnior. Com 17 anos, estava no profissional, onde defendi o clube por um ano antes de ser negociado com o futebol português.

O Corinthians-AL é o clube que mais exportou jogadores na última década, e com você não foi diferente. Como você analisa essa questão? Você acha que o atleta se beneficia com a formação fora do país ou seria necessário ter um início em casa até para ter uma relação com a torcida?

Na hora você não pensa nisso. A questão de dar certo ou não, particularmente considero que foi válido ir para outro país, porque ganhei experiência e me aprimorei taticamente. Mas também penso que se optasse permanecer no Brasil naquela época, as coisas poderiam ter acontecido mais rápidas e eu chegasse a um time grande, como o São Paulo, mais jovem.

Como bem citou, você foi muito jovem para a Europa. Como foi essa adaptação em outro país com uma cultura diferente? E dentro de campo, o que você viu que evoluiu como jogador?

Eu me adaptei rápido. Desembarquei no Marítimo no meio de um Campeonato Português. Consegui jogar pela equipe júnior e fiz 10 gols em onze partidas, onde ajudei o clube a não cair naquele ano. Na outra temporada, fui parar no Marítimo B, uma espécie de segunda equipe do clube, e no ano seguinte, cheguei ao time principal. Acredito que tive uma evolução em termos táticos, onde os técnicos europeus exigem bastante esse comprometimento do atleta. Também aprendi a marcar, função que não era acostumado quando atuava no Brasil.

Ytalo, em 2010, você chegou a voltar ao Brasil para atuar no Internacional-RS por empréstimo, mas não se firmou lá. Por que você acha que não deu certo no Inter naquela época?

Eu cheguei a assinar o empréstimo por um ano naquele período e joguei pelo time B do Internacional. Como me destaquei, eu renovei por mais dois anos, e nessa época, o time brasileiro tentou a minha compra direta com o Marítimo, porém eles pediram um valor muito alto e o Inter acabou desistindo do negócio. Acredito que foi por conta dessa negociação frustrada que não deu certo a minha continuidade lá.

Você considera a sua atuação no Campeonato Paulista 2016 pelo Audax, o melhor momento da sua carreira até agora?

Acho que sim. Pela trajetória que fizemos durante o campeonato foi um momento muito especial. Muita gente não acreditava que podíamos chegar a uma decisão de Paulistão, e eliminar equipes como São Paulo e Corinthians. Então foi um grande feito e fico feliz por ter feito parte daquele grupo. Muitos foram negociados com clubes de Série A, de Série B, e eu consegui manter o contato de todos.

Como surgiu a proposta do São Paulo? Foi durante o Campeonato Paulista ou após o término? Existiu outro clube que te procurou além do tricolor?

A proposta chegou após o campeonato estadual terminar. Existiram outros clubes que me procuraram, mas não vou poder citar, desculpa. Escolhi o São Paulo por considerar um dos melhores times do mundo, com várias conquistas, e estou muito feliz aqui.

No São Paulo, você entrou no time titular para substituir o Ganso, que foi convocado pela Seleção Brasileira para a disputa da Copa América. Você foi bem, se destacou e marcou gol. Com o retorno do meia, você acha que também pode render em outra posição?

Eu prefiro jogar de centralizado no ataque, mas quando é preciso estou à disposição para atuar em qualquer outra posição. Sou um atacante que gosta de fazer gols, por isso, atuar mais próximo da grande área me deixa mais a vontade.

Ytalo, na sua carreira, tem alguma partida que te marcou?

A minha estreia no time principal do Marítimo em um confronto diante do Benfica. Lembro que entrei no segundo tempo e com poucos segundos em campo, fiz o gol de empate da equipe. A partida terminou 1 a 1 e foi muito comemorada.

Qual jogador você tem como ídolo, que pode ser considerado a sua referência no futebol?

Com certeza, o Romário e o Ronaldo. Para mim, os dois são fenômenos. Admirei muito esses jogadores enquanto eles davam alegrias para o futebol brasileiro.

Você pensou em desistir da sua carreira em algum momento?

Sim, pensei em abandonar o esporte quando voltei de Portugal, no ano de 2013, inclusive cheguei a atuar novamente pelo Corinthians-AL. Foi um momento difícil na minha vida, enfrentei alguns problemas pessoais, mas a minha esposa e meus filhos me ajudaram muito com isso, minha família em geral e algumas pessoas com quem hoje trabalho, tudo foi determinante para eu não desistir. Graças a Deus.

E você tem desejo de um dia voltar para a Europa?

Tenho essa vontade. Mas hoje tem que ser uma proposta muito boa, porque como disse, eu tenho esposa e filhos pequenos. Só sairia de perto da minha família se a proposta realmente fosse irrecusável, pois tenho que pensar no futuro deles.

Você tem 28 anos, uma idade onde muitos jogadores conseguem atingir o auge. Você sonha com seleção brasileira ou é algo que já não almeja mais?

Claro que sonho. Porém, tenho que fazer primeiro a minha parte, no dia-a-dia, nos treinamentos, nos jogos, onde o objetivo no momento é ajudar o São Paulo para depois chegar a uma seleção. Prefiro pensar no presente para depois chegar ao futuro.

E em Alagoas? Você tem essa vontade de retornar um dia e conquistar títulos com algum clube alagoano?

Sim, desejo voltar a atuar em Alagoas, mas não é a minha prioridade no momento. Antes, eu quero conquistar títulos pelo São Paulo, e atuar em um alto nível por muitos anos. 

*Estagiário sob supervisão