Polícia

Novo golpe: criminosos sacam FGTS da conta bancária de professor em Maceió 

Redação TNH1 com TV Pajuçara | 03/10/20 - 11h01 - Atualizado em 03/10/20 - 11h01

O benefício social do saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), disponível para trabalhadores que têm saldo neste período de pandemia da Covid-19, segue sendo alvo de criminosos. Em Alagoas, um professor foi vítima de novo golpe e teve o dinheiro sacado da conta digital. 

Em entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara,  a vítima explicou como identificou a fraude no aplicativo. 

"Eu consegui entrar no aplicativo do FGTS, mas do FGTS só indicava que o saque tinha sido efetuado. Eu não conseguia entender o que era exatamente aquela mensagem. Desinstalei e instalei o aplicativo de novo, fiz esse procedimento várias vezes. Tentei fazer um recadastro e quando fui seguindo o passo a passo, vi que no final do cadastro tinha um email para recuperação de senha que não era meu email, eu não tinha fornecido esse email nunca. Não reconheci o email. Suspeitei que ali poderia haver uma fraude. Foi quando decidi procurar uma agência da Caixa para me informar". 

"Chegando lá, ficou constatado que alguém tinha feito uma compra em duas formas, uma de cerca de R$ 990 e outra de R$ 40 e poucos, totalizando o R$ 1.045, que era o valor do saque emergencial do FGTS. Alguém cadastrou com meu nome, meus dados, movimentou. Eu descobri por acaso, porque ano passado o governo creditou esse dinheiro do FGTS direto na minha conta poupança, com todo mundo. Esse ano foi aberta essa conta poupança social digital, meio que à revelia, porque ninguém foi consultado, a gente não teve acesso a produzir senha e nem fornecer nenhum dado. Alguém tinha acesso a todas essas informações e assim conseguiram acesso ao meu dinheiro", reclamou. 

O professor afirmou que no mesmo dia enviou mensagem em áudio para alguns grupos de amigos relatando o episódio e cinco pessoas responderam, dizendo que também foram vítimas da fraude.  

"Quando a gente sabe que tem um dinheiro disponível, a gente cria expectativa, faz um planejamento dentro daquele orçamento do mês, ainda mais nesse momento de pandemia. Naquele momento fiquei bastante surpreso. Ainda mais porque, para ser atendido, passei mais de quatro horas na Caixa esperando. As filas estão horríveis. Agora eles disseram que para eu conseguir ter uma informação de novo, eu vou ter que ir novamente enfrentar fila, talvez faltar um dia de trabalho para poder ser atendido, para eles dizerem se vão reaver ou não o meu dinheiro", desabafou. 

Delegado detalha golpes

Ao Fique Alerta, o delegado Thiago Prado, titular da Delegacia Especializada de Roubos da Capital (DERC), da Polícia Civil de Alagoas, detalhou como os bandidos têm atuado neste tipo de golpe. 

"Esse golpe pode acontecer de duas formas. A primeira forma é o caso narrado por vocês, que diz respeito a um cidadão que não solicitou em momento algum o recebimento benefício desse social e os criminosos chegaram primeiro e sacaram o valor. Como acontece isso? Os criminosos terminam acessando público ou privado, são cibercriminosos, que conseguem invadir esses sistemas e buscam dados pessoais de todos nós. Atentos a que o governo está liberando o benefício social para determinadas pessoas de acordo com a data de nascimento, que é um dado que os criminosos também têm, eles vão lá e se antecipam. Efetuam um cadastro em nome da vítima, mas para que o dinheiro seja depositado em conta em seu benefício. Dessa forma, a vítima não tem muito como se prevenir desse golpe. Caso detecte que foi alvo desses criminosos, tem que registrar o Boletim de Ocorrência e comunicar a Caixa para que seja restituído". 

"A outra modalidade é o chamado phishing, ou então links maliciosos enviados por redes sociais, como o Whatsapp, e até mesmo SMS. Como acontece? Os cibercriminosos enviam o link para a vítima afirmando que o saque emergencial no valor de R$ 1.045 foi liberado e, para poder receber, tem que clicar naquele link e efetuar o cadastro. Muitas pessoas ávidas para receberem o benefício social, sobretudo neste tempo de dificuldade econômica, acabam indo de forma descuidada e fornecendo todos os dados para os criminosos. Isso porque o link leva a vítima até um site cuja a interface, as características visuais, são idênticas ao site verdadeiro da Caixa Econômica. A vítima fornece esses dados aos criminosos, que terminam criando a conta digital e subtraindo o dinheiro de FGTS que era da vítima". 

O delegado explicou ainda que os criminosos invadem sistemas públicos e privados para roubarem os dados pessoais e utilizarem para realizar as fraudes. 

"São cibercriminosos que têm que fazer invasão em algum sistema. Sistemas públicos como até mesmo da Caixa, outros bancos, ou sistema de pagamento de benefício social. Ou sistemas privados que possuem todos os nossos dados. Lembra quando a gente faz um cadastro em uma loja qualquer e coloca nosso nome, CPF, endereço, data de nascimento? Isso fica protegido em um sistema de empresa privada. Só que, eventualmente, o cibercriminoso consegue invadir esse sistema da empresa privada e, de posse desses dados, começa a praticar esse tipo de crime". 

"A Caixa vem reconhecendo a fraude e ressarcindo a pessoa. A gente alerta a importância de registrar o B.O. porque, caso se faça uma investigação e detecte as quadrilhas que estão fazendo essa prática criminosa, sobretudo de fora de Alagoas, segundo o que observamos, é importante a gente reunir a quantidade de BO máxima possível para que os criminosos sejam responsabilizados por todos esses delitos. A polícia só vem tomar conhecimento de um delito através do Boletim de Ocorrência", alertou. 

Caixa emite nota

Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que colabora com os órgãos de segurança, atua no combate às fraudes no saque emergencial do FGTS e demais benefícios sociais e esclarece que informações sobre eventos criminosos são repassadas exclusivamente para as autoridades policiais. Ainda na nota, a Caixa afirma que realiza de forma estratégica e preventiva monitoramento de casos suspeitos e bloqueia contas com indícios de fraude ou inconsistências cadastrais para verificação de informações. 

Em eventuais contestações de saques, podem ser formalizadas pelo beneficiário diretamente em qualquer agência da Caixa, para os casos em que houver comprovação de saque fraudulento, o beneficiário será devidamente ressarcido. A Caixa recomenda que os trabalhadores utilizem apenas os canais oficiais do banco para obter informações sobre o saque do FGTS.