Polícia

Novo golpe do Whatsapp induz vítima a fazer depósito bancário; entenda

João Victor Souza | 13/12/19 - 16h40 - Atualizado em 13/12/19 - 16h40

Mais um modelo de golpe de estelionato está sendo registrado nas delegacias de todo o país neste fim de ano. A nova estratégia utilizada por criminosos é aplicada nas redes sociais e as vítimas, por muitas vezes com débitos ou com pendências de transferências financeiras, acabam sendo levadas a depositar dinheiro em uma conta bancária que, na verdade, pertence ao golpista.  

Em vários casos já relatados, a vítima recebe uma mensagem por Whatsapp de uma pessoa que se passa por conhecida dela e que utiliza o código de telefone do mesmo estado para não gerar desconfiança. O estelionatário cobra o depósito do dinheiro que já teria sido combinado anteriormente e quem tem alguma negociação inacabada termina sendo presa fácil para o bandido. 

Foi o que aconteceu com a alagoana Simone Ferro, vítima do golpe na última semana. Ela havia encomendado um serviço e teria que transferir o valor de R$ 230 para uma mulher, referente ao pagamento, no dia 6 de dezembro. No início da manhã desse dia, Simone recebeu esta mensagem: “Bom dia, tive que trocar de número, esqueci de avisar. Vai fazer o depósito hoje?”. 

Acreditando ser a pessoa com quem tinha feito o negócio, a vítima pediu novamente a conta bancária para fazer a transferência. Neste momento, o criminoso passou uma nova conta, com a alegação de que havia cancelado a outra.  “Pode fazer nessa aí, mas me manda a foto do comprovante”, pediu o golpista. A conta passada pertence a Saulo Henrique Lima Lucena. 

Horas depois, a responsável pelo serviço contratado perguntou sobre o depósito a Simone, o que fez a mulher perceber que havia caído no golpe. "Eu fui numa agência da Caixa e registrei um Boletim de Ocorrência na delegacia. Consegui bloquear a conta dessa pessoa e aguardo ele devolver o dinheiro", disse.

Simone contou à reportagem que chegou a cobrar do criminoso a devolução da quantia por Whatsapp. “Eu disse para ele me devolver o dinheiro, que isso é crime e ele ia pagar por isso. Ele disse que ia devolver. No outro dia, fui cobrar e aí ele me bloqueou”, explicou.

Ela também afirmou que não acredita que ele teria tido conhecimento da negociação, pois não havia fornecido dados que caracterizassem isso. “Eu acredito que ele não tinha informações sobre a transferência que eu tinha pendente, ele não forneceu dados da pessoa. Então acho que foi coincidência ele fazer essa cobrança no dia que eu iria transferir a quantia para a mulher com quem negociei”, afirmou.

O TNH1 procurou o delegado Thiago Prado, que responde pela Seção de Crimes Cibernéticos da Divisão Especial de Investigação e Captura (Deic), para saber mais detalhes do modo de operação do grupo criminoso e o que os usuários de redes sociais podem fazer para evitar o golpe.

“Estão sendo corriqueiros golpes como esse. Mais uma vez os criminosos mudaram o modus operandi para praticar crimes. Eles habilitam linhas telefônicas com o DDD do estado da vítima e ficam a todo tempo querendo enganar pessoas”, destacou.

Para ele, a estratégia do grupo, que seria de Goiás, é arriscar, entre erros e acertos. "Fazendo isso com mais de mil pessoas, alguém vai cair, pois irá acreditar na história do golpista. Foi o que aconteceu com essa vítima”, disse Prado.

“Orientamos que não se deve fazer nenhuma transação financeira com base em dados fornecidos por conversas de Whatsapp. É necessário que sempre se confirme com o credor os dados bancários antes de efetuar um pagamento, preferivelmente através de contato pessoal”, alertou o delegado.

Quem for vítima de crimes cibernéticos pode procurar a delegacia mais próxima para para registrar o fato. As investigações serão feitas pela Polícia Civil.