Contextualizando

O triste Brasil das “autoridades” e “excelências”

Em 30 de Março de 2026 às 20:06

Na sexta-feira passada, 19 senadores e deputados federais que integravam a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apurava a roubalheira de bilhões aos inativos e pensionistas da Previdência formaram maioria e resolveram desconsiderar o relatório que indiciava empresários e figuras "ilustres"  dos Poderes da República.

O documento de 4.400 páginas elaborado pelo deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL) era contundente e teve um destino inglório: o lixo.

A CPMI era constituída em sua maioria por parlamentares apoiadores do governo Lula (PT), que comemoraram efusivamente o resultado beneficiando diretamente empresários e personagens do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Um dos beneficiados é filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, um “gênio da advocacia”, que com apenas um ano de inscrição na OAB recebeu R$ 18 milhões por consultoria (leia-se lobby) ao Banco Master à JBS, instituições de atividades questionáveis.

Como “uma mão lava a outra”, no dizer popular, Nunes Marques, relator de uma ação que cobra a instalação da CPI do Banco Master, tem uma excelente oportunidade de retribuir aos senadores que livraram seu filho de indiciamento na CPMI do INSS.

O que se fala nos bastidores de Brasília é que o ministro tem dado demonstrações de que não vai autorizar a CPI do Master, requerida pela oposição e muito mais abrangente, em termos de valores e de personagens dos três Poderes envolvidas, do que a comissão que investigou os criminosos que roubaram os velhinhos do INSS.

Deve ser muito triste viver num país em que empresários e homens públicos formam quadrilhas para dilapidar o erário e se apropriar de recursos do cidadão.

E essa patota ainda exige que nós, contribuintes, nos refiramos aos seus integrantes chamando-os de “autoridade” ou “excelência”...

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