Jornalista Raquel Landim:
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"De todos os escândalos que já abalaram o Brasil, incluindo Lava Jato e Mensalão, o caso do Banco Master é o primeiro que atinge em cheio o Supremo Tribunal Federal.
Ficaram expostas por meio do trabalho de investigação da Polícia Federal e do jornalismo as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
As suspeitas são gravíssimas e vão desde contratos milionários a uma suposta ajuda para evitar a prisão do banqueiro. Importante frisar que ainda são suspeitas e tudo precisa ser provado e verificado.
Os ministros não são intocáveis, ao contrário, são falíveis, mas o STF é a joia das instituições republicanas.
Abalar o Supremo é colocar em risco toda a segurança jurídica do País, afugentando investidores e colocando decisões já tomadas em dúvida.
Pela Constituição, a Polícia Federal precisa de uma autorização do próprio Supremo para fazer apurações sobre um ministro. Logo ao recolher as evidências, os delegados precisam enviar tudo ao juiz do caso.
No caso de Toffoli, foi o que a PF fez ao mandar as informações que obteve ao presidente do STF, Edson Fachin, que numa manobra afastou o ministro da relatoria do caso Master. Mas as suspeitas seguem lá e Toffoli pode vir até a julgar desdobramentos do caso se assim o desejar.
Já para Moraes, as evidências ainda estão vindo a público. A PF não abriu inquérito – porque, claro, não é o seu papel. Cabe aos delegados enviar o material ao novo relator, o ministro André Mendonça, que deveria mandar novamente a Fachin ou direto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Mendonça já deixou claro que vai fazer o que for preciso com responsabilidade e discrição.
O que faria Fachin? Pediria o parecer de Gonet? Ele já se recusou três vezes a investigar o caso Master onde apareciam envolvidos os ministros do Supremo.
Juristas experimentados lembraram a coluna que Toffoli e Moraes poderiam pedir aposentadoria antes da abertura do inquérito. Não é decisão fácil para ministros tão experientes e poderosos. Mas a pressão política vai seguir por semanas, meses, flertando com pedidos de impeachment.
Restam dois caminhos para os magistrados: expliquem-se abertamente à sociedade, indo além de notas protocolares, mostrem documentos, submetam-se ao escrutínio da opinião pública, e acabem com as dúvidas, ou afastem-se, e preservem a instituição enquanto é tempo pelo bem do País.
Depois a lei seguirá o seu caminho."
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