Texto do engenheiro Stanley de Carvalho, no portal "082Notícias":
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"O transcurso de 2025 para 2026 confirmou de vez, para Maceió, a alcunha de 'Capital LEGO'”. Nunca se viu tantas luzes coloridas e penduricalhos policromáticos flutuantes, como hoje, ao longo da orla da Pajussara e Ponta Verde, principalmente. Uma área que já inspirou muitos compositores e poetas, graças ao seu luar de prata, seu Gogó da Ema, suas espumas e areias brancas, agora parece tirinhas de comics tipo Plunckt-Plact-Zum ou a miscelânea estrombroscópica dos trajes do cantor Falcão.
Já não dá mesmo para se imaginar que tipo de poemas poderia inspirar a Pajussara atual, a não que sejam jingles de campanha para atrair turistas ou ludibriar eleitores, em ano de eleições.
Lembro-me do tempo em que, quando passávamos de carro ao longo da Pajussara e Ponta Verde, dava para admirarmos os sequenciados coqueirais que bordavam as praias, contrastando com o azul das ondas do mar que quebravam na areia fina e branca, fazendo um melodioso som do resfolegar da amada ao pé do ouvido.
Dava, inclusive, pra ver as pessoas caminhando pela praia ou jogando bola, ou sentadas na areia, aproveitando à calma e a quietude do local. Atualmente, quando se cruza essa mesma via, a gente só vê o sapé das cobertas de barracas, cartazes de cardápio, costado de cadeiras de praia para aluguel ou propaganda que oferecem as mais variadas tours. O mar? O mar ficou escondido por trás dessas coisas todas.
Há 60 anos atrás, quando a Salgema se preparava para se implantar no Pontal da Barra, a propaganda governamental a enaltecia como a 'Redenção Econômica de Alagoas', pois 'traria centenas de vagas de trabalho e milhões em impostos, além da alta produção do PVC que se transformaria em divisas milionárias, para o Estado'.
Hoje a gente vê no que deu! A destruição de cinco bairros, expulsão de 60.000 pessoas de seus lares, fora o sepultamento de milhares de histórias de vida. Além- pasmem!, da tentativa da própria BRASKEM, responsável por todo esse desastre, de querer ser herdeira do espólio maldito, através da privatização de toda área de solo atingida.
Analogamente, 50 anos depois, nos oferecem esse tal Turismo como 'a nova vocação econômica do Estado'. Só que esse outro 'projeto de desenvolvimento' já mostra seus efeitos nocivos mais rapidamente. Incialmente, já vemos a vasta apropriação do espaço público feita para particulares, CPF’s ou CGC’s.
Já o Estado, do mesmo jeito que o Município, abraça os planos de grandes investidores e acordos identicamente nocivos acontecem envolvendo as praias de todo o litoral alagoano, com agressões ambientais e sociais descabidas.
Sem falar no crescente índice de violência em cidades antes paradisíacas e calmas, como Japaratinga e Maragogi, além de outros danos promovidas pelos grandes empreendimentos turísticos, afora a duplicação da Al-101 Norte que destrói a fauna e a flora no resto de Mata Atlântica que ainda temos.
O que mais falta para o nosso Apocalipse? O recentemente anunciado afundamento geral da cidade? O tsunami proveniente de Portugal ou o choque do asteróide 2024-YR4? Nada disso. As pessoas que elegemos se encarregarão de promover com esses tais empreendedores bem vestidos o arraso total da terrinha. O resto será páginas de livro de História."
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