Alagoas avança em sua agenda de transição energética com a consolidação de um projeto de descarbonização desenvolvido a partir da parceria entre Braskem e Veolia. A iniciativa viabilizou que a unidade de PVC, em Marechal Deodoro, passasse a operar com 100% do vapor proveniente de biomassa de eucalipto, substituindo integralmente o uso de gás natural por uma fonte térmica renovável.
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O projeto representa um avanço relevante na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e na ampliação do uso de energia limpa nas operações industriais, além de contribuir para o fortalecimento de uma matriz energética mais sustentável no estado.
A iniciativa é resultado de uma estratégia iniciada em 2018, com estudos de viabilidade e desenvolvimento da solução em parceria com a Veolia. O contrato foi assinado no final de 2021, e as obras e o plantio de 5,5 mil hectares de eucalipto começaram já no início de 2022. Em 2023, a usina passou a fornecer vapor a partir da biomassa para as operações da unidade ainda de forma parcial. Recentemente, com a conclusão da eletrificação do compressor de refrigeração da planta de MVC, foi possível encerrar completamente a produção de vapor a partir do gás natural fóssil, consolidando uma operação abastecida exclusivamente por vapor gerado pela queima de biomassa.
Com capacidade de gerar cerca de 900 mil toneladas de vapor, a usina da Veolia tem potencial para reduzir aproximadamente de 150 mil toneladas por ano de CO₂e da operação da Braskem. Essa redução será viabilizada a partir da utilização de 240 mil toneladas de biomassa anuais, provenientes do cultivo de eucalipto. Além disso, serão incorporadas fontes alternativas e circulares, como o reaproveitamento de materiais e resíduos, a exemplo de pallets.
Segundo Gustavo Checcucci, diretor de Energia e Descarbonização da Braskem, o projeto demonstra que a transição energética em escala industrial já é uma realidade. “Estamos substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis em uma escala significativa, o que mostra que é possível combinar competitividade industrial com responsabilidade socioambiental. E, ao mesmo tempo em que reduzimos nossas emissões, contribuímos para o fortalecimento da cadeia de biomassa em Alagoas, de modo a promover seu desenvolvimento como uma alternativa energética competitiva no estado”, ressalta.
O diretor industrial de Alagoas, Helcio Colodete, também destaca os ganhos operacionais e sustentáveis do projeto. “O impacto é muito positivo, pois atende à demanda de vapor necessária para a operação contínua e de alta performance da PVC, com o suprimento de energia limpa e eficiente, e impulsiona o avanço socioeconômico da região, em especial da cadeia produtiva da química e do plástico. Além disso, eleva a competitividade da nossa fábrica - a maior produtora de PVC da América Latina – que oferece matéria-prima essencial para produção de insumos básicos utilizados nas indústrias médico-farmacêutica, alimentícia, automotiva, agronegócio, construção civil e infraestrutura”, afirma.
Responsável pela operação integrada, a Veolia atua em toda a cadeia de fornecimento e operação da biomassa, incluindo o cultivo do eucalipto, o cavaqueamento (picagem da madeira), o processamento e a queima para geração de vapor. A empresa também realiza investimentos agrícolas (plantio, equipamentos e logística) e industriais (processamento, estocagem e operação das caldeiras).
Para José Renato Bruzadin, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Veolia no Brasil e de desenvolvimento de mercados privados na América Latina, o projeto reforça o papel da inovação na sustentabilidade industrial. “Nosso objetivo é apoiar empresas na transição para modelos de produção mais sustentáveis e de longo prazo, reduzindo emissões de carbono, otimizando o uso de recursos e promovendo a economia circular. Dessa forma, a Veolia contribui para a competitividade dos clientes, para a preservação ambiental e para o desenvolvimento de comunidades, alinhando desempenho econômico com impacto positivo sustentável”, destaca.
“A parceria com a Braskem em Alagoas é um exemplo concreto de como a união de expertise operacional e inovação em energia renovável pode gerar valor ambiental e social. Estamos orgulhosos de contribuir para a descarbonização de uma das maiores indústrias químicas da América Latina, reafirmando nosso papel como parceiro estratégico na transição para um futuro mais sustentável”, finaliza Bruzadin.
Além do avanço importante nas soluções de baixo carbono e energia renovável adotadas pela Braskem, a iniciativa também gera impactos sociais e econômicos importantes. Durante a fase de construção, foram criados cerca de 400 empregos diretos. Na operação, cerca de 100 empregos permanentes. No campo econômico, o projeto contribui para consolidar a cadeia de biomassa como fonte energética competitiva no estado, com uma área de plantio equivalente a mais de 7 mil campos de futebol.
A redução estimada de 150 mil toneladas de CO₂e por ano representa um marco importante para a matriz energética em Alagoas e evidencia o papel de projetos dessa escala para uma indústria cada vez mais alinhada aos desafios climáticos atuais.