Passageiro chileno é preso sob suspeita de racismo contra comissário de bordo brasileiro

Publicado em 17/05/2026, às 14h54
Passageiro chileno é preso sob suspeita de racismo contra comissário de bordo brasileiro - Reprodução / X
Passageiro chileno é preso sob suspeita de racismo contra comissário de bordo brasileiro - Reprodução / X

Por Isabela Palhares / Folhapress

Um executivo chileno foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos após fazer comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de bordo em um voo da Latam, resultando em sua prisão preventiva pela Justiça Federal.

As ofensas ocorreram durante um voo para Frankfurt, onde o homem proferiu insultos raciais e homofóbicos, sendo que seu comportamento agressivo foi registrado em vídeo por outros passageiros.

A empresa do agressor, Landes, anunciou seu afastamento e condenou veementemente as atitudes discriminatórias, enquanto a Anac implementará novas regras em setembro para punir passageiros que causarem distúrbios em voos.

Resumo gerado por IA

Um executivo chileno foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, acusado de fazer comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de bordo em um voo da Latam na última sexta-feira (15). As ofensas foram registradas em vídeo.

O caso ocorreu em um voo que seguia para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de "preto" e "macaco" e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha "cheiro de negro brasileiro" e que ser gay "é um problema" para ele.

A reportagem não conseguiu descobrir quem responde pela defesa do chileno, tampouco teve acesso ao que ele alegou à polícia.

O caso aconteceu no dia 10 de maio, mas Germán Naranjo Maldini, o passageiro que proferiu as ofensas, foi detido no dia 15, quando retornou da Alemanha. O comissário de bordou comunicou a Polícia Federal sobre as agressões, e foi instaurado um procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal.

Na sexta-feira, Maldini passou por audiência de custódia em que o juiz manteve sua prisão preventiva. Ele foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde se encontra à disposição da Justiça.

Maldini teria iniciado as agressões após tentar abrir a porta do avião e ser impedido pela tripulação. O comportamento agressivo do chileno a bordo do voo foi gravado por um passageiro. No vídeo é possível ouvir os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação.

O agressor atuava como gerente de uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha, a Landes. Na sexta-feira, a empresa informou que ele seria afastado "formal e preventivamente" de suas funções.

"A companhia condena de forma categórica e inequívoca todos os atos de discriminação, racismo e homofobia. Esse tipo de comportamento é totalmente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que se aplica a todos os funcionários da empresa. A empresa está reunindo mais informações para tomar as decisões adequadas, de acordo com seus protocolos internos e regulamentações vigentes", informou a empresa, em nota.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou, em março, uma resolução que endurece a punição para passageiros que causarem transtornos em voos nacionais. A nova regra entrará em vigor em 14 de setembro, com punições que vão do pagamento de multa de até R$ 17,5 mil ao banimento do passageiro autuado dos aeroportos do país por 12 meses.

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