O 10º Tribunal do Júri de Maceió iniciou o julgamento de Albino dos Santos Lima, conhecido como 'serial killer de Maceió', acusado de assassinar o casal Débora Vitória e John Lenno em dezembro de 2023, com o primeiro depoimento de um líder religioso que frequentava a mesma igreja que as vítimas e o réu.
O pastor José Luiz revelou que Albino teve desavenças com John Lenno e foi acusado de comportamentos inapropriados, como filmar Débora sem consentimento, o que gerou desconfiança e culminou em sua exclusão do grupo de louvor da igreja.
Albino, que já possui condenações que somam mais de 234 anos de prisão, retornou à igreja após os assassinatos, demonstrando alegria e justificando os crimes com um falso roubo, enquanto a investigação sobre seu envolvimento em outros homicídios continua durante o julgamento atual.
O 10º Tribunal do Júri que tem como réu Albino dos Santos Lima, o “serial killer de Maceió”, teve início na manhã desta quinta-feira (22), no Fórum do Barro Duro. A primeira testemunha ouvida foi um líder religioso da igreja que era frequentada tanto pelo acusado quanto pelas vítimas do homicídio: Débora Vitória Silva dos Santos e John Lenno Santos Ferreira.
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O casal foi assassinado a tiros na Rua Formosa, no bairro Levada, em dezembro de 2023. O homem foi o alvo inicial, atingido por quatro tiros na cabeça e um no ombro. Já a mulher foi baleada no abdômen.
Durante o depoimento, o pastor José Luiz disse que Débora Vitória e John Lenno eram integrantes permanentes de um grupo de louvor havia cerca de um ano e seis meses, e que Albino passou a fazer parte dele. No entanto, o serial killer não ia para todos os encontros.
Ainda segundo José Luiz, Albino e John Lenno tiveram desavenças durante esse período no grupo, e o réu foi acusado pela vítima de ter observado uma menina com conotação sexual e filmado Débora Vitória sem o consentimento dela.
"Certo dia, John Lenno me procurou para dizer que o Albino estava gravando a esposa dele pelo celular. Então, junto com minha esposa, chamei o Albino para conversar e ele negou. Como pastor, repreendi e ele ficou muito furioso sobre isso. No entanto, eles não chegaram a se agredir, apenas o Albino se defendendo e John Lenno o acusando [...] John Lenno e Débora eram pessoas boas e jamais mentiram, então demos a credibilidade, em cem por cento, a eles", declarou.
"O John Lenno me procurou de novo e disse: "pastor, eu estava atrás do Albino e ele estava olhando, com olhar fixo para as pernas de uma menina e não gostei". Levei Albino para a secretaria e disse que não ia permitir, e que se visse qualquer coisa nesse sentido, ia tomar uma atitude. Aproximadamente duas semanas depois dessa acusação, o Albino deixou de frequentar a igreja", complementou o líder religioso.
O pastor também revelou que Albino andava armado dentro da igreja, com a desculpa de que era ameaçado por algumas pessoas e que por isso usava o instrumento como defesa.
Alegria com as mortes
Ainda de acordo com o depoimento do pastor, quinze dias depois do assassinato, o serial killer retornou para a igreja e demonstrou estar feliz com as mortes, e citou um falso roubo de moto como justificativa.
"Eles foram assassinados na rua, a cerca de 700 metros da igreja e eu fui lá. Após o crime, uns 15 dias depois, ele voltou a frequentar a igreja. Chegou aparentando estar feliz com a morte, dizendo: 'está vendo aí, foi comprar moto roubada, deu no que deu'".
A desconfiança
A testemunha relatou que a desconfiança do envolvimento de Albino com as mortes de Débora e John Lenno veio à tona quando a jovem Ana Beatriz foi assassinada no Vergel do Lago. Na ocasião, o serial killer foi filmado por câmeras de segurança.
"Vimos as imagens e achamos o assassino da Ana Beatriz parecido com o Albino, mas pessoas que eram muito próximas tiveram certeza em cem por cento que era ele".
O 10º júri
Albino já foi condenado nove vezes por crimes cometidos em Maceió. As penas somadas chegam a 234 anos, dois meses e 13 dias de prisão.
O novo julgamento ocorre duas semanas após a última condenação. No dia 7 de outubro, Albino recebeu mais 30 anos de reclusão pelo assassinato de Mikaele Leite da Silva, de 21 anos, cometido no Vergel do Lago.
Com o novo júri, o réu chega ao 10º julgamento por homicídios atribuídos a ele na capital alagoana.