Maceió

Pinheiro: Braskem contesta relatório da CPRM apontando inconsistências e conclusões precipitadas

Redação com Assessoria Braskem | 03/07/19 - 18h15 - Atualizado em 03/07/19 - 18h34

A Braskem se pronuncou nesta quarta-feira, 03 de julho, questionando o relatório do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgado em 21 de maio. A petroqúimica aponta, em texto encaminhado à imprensa, o que seriam "inconsistências e conclusões precipitadas".

O relatório da CPRM apontou que a instabilidade no solo dos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, em Maceió, teriam relação direta com a extração de sal-gema pela Braskem,  

Leia a nota da Braskem na ìntegra:

O presidente da Braskem, Fernando Musa, disse que “as conclusões da CPRM (em relação às causas das rachaduras no Pinheiro, Mutange e Bebedouro) foram apressadas” e que a petroquímica alagoana já contestou na Justiça o relatório preliminar da autarquia.

Após as primeiras análises mais aprofundadas dos anexos do relatório síntese do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgados no dia 21 de maio, sobre a situação dos bairros, a Braskem identificou diversas inconsistências. A empresa afirma que não há ainda informações técnicas suficientes para chegar a uma conclusão, faltando inclusive finalizar os sonares do conjunto de 35 poços de extração de sal-gema.

A petroquímica ressalta que, ao antecipar a divulgação do relatório, a CPRM concluiu estudos só levando em conta dados de 8 sonares finalizados à época. “Com apenas 8 minas analisadas, não é possível afirmar que a causa dos eventos seja a extração de sal”, diz Fernando Musa.

Atualmente, dos 35 poços, 13 foram analisados por meio de sonares e os resultados obtidos até o momento demonstram que estes estão em condições de estabilidade. O término dos estudos de todos os poços tem previsão para o final do ano.

A petroquímica afirma que há divergências de interpretação entre a Braskem e a CPRM em relação aos resultados dos sonares, além de outros pontos que não foram considerados pelo órgão. A contestação por parte da Braskem foi apresentada à Justiça no dia 14 de junho.

Na ação, a Braskem defende que a CPRM não cumpriu o prazo original previsto para concluir os estudos e diz que o órgão público antecipou suas conclusões por causa da pressão política.

Não há conjunto de minas desabadas e nem vazias 

A petroquímica apresentou inconsistências relevantes no relatório, as quais impossibilitam chegar a um laudo conclusivo sobre o que está acontecendo. Um dos questionamentos é sobre a afirmação da CPRM de que quatro minas teriam desabado. Sonares concluídos mais recentemente atestam que as minas estão em condições de estabilidade e não poderiam ter influência nos fenômenos geológicos.

Em outro ponto, a CPRM acusa o aumento de tamanho de algumas minas. Porém, não considerou que as minas estavam em operação, e esse aumento está tecnicamente dentro do esperado.

Além disso, ao contrário do que foi colocado no relatório, não foram identificados poços vazios. O corte utilizado pela CPRM no estudo foi à profundidade de 900 metros. Mas ali realmente não seria possível encontrar, uma vez que a cavidade em questão estava a uma profundidade maior.

Relatório não reconhece falha geológica no Pinheiro e tremores de terra

Outro ponto de inconsistência que a Braskem está apontando é o fato dos estudos da CPRM não terem considerado a falha geológica existente no bairro do Pinheiro e os abalos sísmicos registrados. Essa falha, segundo geólogos especialistas, teria sido reativada por conta da sucessão de vários abalos sísmicos, principalmente os que ocorreram com maior frequência a partir de 2016.  Essa falha percorre uma região que vai de Feira de Santana, na Bahia, até Alagoas, chegando ao Atlântico.

“Há muitos anos, temos registros de abalos sísmicos nessa região. O tremor registrado em março de 2018, no bairro do Pinheiro, foi filmado e nos assustou. É como se sacudisse a terra – e isso causa danos. Agora imagine 16 tremores, um atrás do outro? Há cerca de dois meses, ocorreram quatro tremores em Sergipe e casas racharam. Isso não é uma peculiaridade de Maceió”, detalha Renato Senna, geólogo formado pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Senna trabalhou por 40 anos – de 1965 a 1995 - na Petrobras, onde pesquisou inúmeros fenômenos na região Nordeste.

A Braskem está concluindo os estudos geológicos na região com apoio de especialistas para aprofundar o entendimento no sentido de melhor identificar as causas dos fenômenos que têm impactado a região. “Essa etapa é importante pois, só a partir de um diagnóstico preciso, será possível entender as soluções definitivas que devem ser aplicadas”, finaliza Fernando Musa.