Destaque do segundo dia, antropólogo explica que consumidor moderno não se contenta em apenas comprar
Os empreendedores que passaram os últimos anos quebrando a cabeça para aplicar no seu dia a dia as fórmulas prontas e estratégias para atrair e fidelizar os clientes precisam se atualizar porque tudo que aprenderam está ultrapassado. O antropólogo Michel Alcoforado quebrou paradigmas sobre o perfil dos consumidores das diferentes gerações e, na palestra magna do segundo dia do NEON 2026, mostrou que apenas focar nas planilhas e na bibliografia é insuficiente para entender o que seu cliente deseja.
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Com o tema "Os 5 movimentos que redefinem o seu consumidor", Alcoforado impactou a plateia usando dados econômicos com o puro suco da cultura brasileira para provar que o ato de comprar hoje é uma extensão da conversa e do entretenimento diário. Usando casos divertidos e reais, ele demonstrou que a verdadeira preocupação do empreendedor deve ser descobrir a tensão cultural do seu cliente. Ele citou o caso de mulheres que usam bolsas de luxo penduradas no antebraço, para que a marca famosa "chegasse antes" delas nos lugares. Para elas, que querem ser validadas socialmente, é mais importante que o logotipo da marca da bolsa seja visível do que o conforto e a funcionalidade do objeto.
O mesmo aconteceu em lojas que vendem vinhos. Durante um período, a estratégias para atrair os clientes era a de manter um sommelier para ajudar os clientes em suas escolhas, mas o efeito foi exatamente o contrário. As pessoas se sentiam intimidadas pela presença do especialista e desistiam de fazer compras. Ao entender a dinâmica do consumidor, a decisão foi criar displays de autosserviços, que trazem dicas práticas de como escolher o produto, seja pela indicação de qualidade ou pela faixa de preço.
Estratégias como o funil de vendas está ultrapassado
Alcoforado trouxe dados que mostraram que os modelos tradicionais de marketing digital não funcionam mais. Fórmulas prontas, focadas em capturar o cliente até a conversão de vendas não leva em consideração práticas comuns da atualidade, em que o consumo virou uma espécie de passatempo relaxante pelo celular. O olhar as vitrines das lojas sem compromisso virou encher o carrinho de compras nas lojas de internet sem a intenção real de comprar.
O funil tradicional de marketing digital morreu. Hoje, 40% dos consumidores simulam compras que não vão realizar, apenas por prazer. Você mesmo pode fazer isso. Dados mostram que 62% das pessoas pesquisam produtos na internet só como um hobby, por puro passatempo", afirma.
De acordo com o antropólogo, a atenção do público é atualmente a moeda mais valiosa. Em média, o brasileiro é bombardeado com mais de 6 mil anúncios por dia enquanto acessa a internet do celular, mas muitas delas acabam sendo completamente esquecidas. Segundo ele, quase metade das pessoas não lembram de nenhuma das publicidades que viram em 2025. Com isso, a fidelidade cega às marcas, características das gerações passadas, acabou. O consumidor atual muda de opinião se encontrar um preço melhor ou uma vantagem imediata.
E a maioria das empresas não está preparada para isso. O palestrante usou como exemplo o "Pix do amor", em que as pessoas passaram a fazer Pix de um centavo como ferramenta de comunicação afetiva, para burlar os bloqueios em redes sociais. "Foram feitos R$ 62 milhões de Pix de 1 centavo em 2025. O Pix do amor trazia a possibilidade de você abrir o aplicativo do banco várias vezes ao dia para saber se a alma gêmea tinha mandado mensagem. O banco não entendia o consumidor porque, antes disso, quem ficava checando toda hora o aplicativo do banco só quem tinha dinheiro", ressaltou.
Produto de sucesso rende uma boa fofoca
Uma das grandes lições da palestra é que os produtos devem render oportunidades de conversação. Ele citou como exemplo as fritadeiras elétricas, atualmente presentes na maioria dos lares, ou dos hidratantes labiais com gosto de bala, que o sucesso estrondoso fez o marketing da empresa trabalhar avisando aos consumidores os locais onde o produto ainda não tinha esgotado. Esses produtos vendem porque dão assunto para as pessoas. O cliente quer histórias para contar no grupo de família ou amigos e experiências que gerem fotos e conteúdo para as redes sociais.
Para a estudante de Administração de Empresas, Ana Clara Santos, a palestra do Alcoforado mudou a visão do que ela vem aprendendo na faculdade. "Eu já acompanho o trabalho dele há algum tempo, mas hoje aqui no NEON, percebi que muita coisa que a gente ainda estuda já não servem na atualidade. Quando ele falou das pessoas que enchem o carrinho virtual sem intenção de comprar, me identifiquei totalmente. Vejo que o que a minha geração não é mais fiel às marcas, hoje, nos buscamos conveniência e vantagens", declarou.
O empreendedor do ramo da culinária, Carlos Eduardo Vieira, saiu da palestra já planejando mudanças na sua lanchonete. "Quando ele falou que se o produto não rende uma boa fofoca, ele não rende, percebi que preciso mudar o meu cardápio. Apesar de ter comida boa, o consumidor quer uma experiência tiktokzada, de uma história para contar nos grupos e nas redes sociais", ressaltou.
Depois dessa quebra de paradigmas, o NEON 2026 se encaminha para o final neste sábado (13) e será encerrado com a aguardada palestra da Juliette, que vai subir no palco do Teatro Gustavo Leite para compartilhar suas estratégias reais sobre construção de marca e posicionamento de mercado.
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