Por que contar ao médico sobre os remédios que você toma? Veja os riscos da automedicação para a avaliação clínica

O uso de medicamentos por conta própria pode alterar a manifestação dos sintomas e dificultar a avaliação realizada pelo profissional de saúde

Publicado em 07/09/2026, às 13h00
A automedicação pode alterar a manifestação dos sintomas e dificultar a avaliação realizada pelo profissional de saúde (Imagem: Daniel Hoz | Shutterstock)
A automedicação pode alterar a manifestação dos sintomas e dificultar a avaliação realizada pelo profissional de saúde (Imagem: Daniel Hoz | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Dor de cabeça, febre, desconforto muscular, azia e outros sintomas comuns muitas vezes levam as pessoas a recorrerem à automedicação. Embora alguns medicamentos sejam vendidos sem necessidade de receita médica, isso não significa que seu uso seja sempre adequado ou isento de riscos. 

Cristiane Costa, coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Unopar, destaca que, além da possibilidade de efeitos adversos e interações medicamentosas, o uso de medicamentos por conta própria pode alterar a manifestação dos sintomas e dificultar a avaliação realizada pelo profissional de saúde.

“A automedicação não deve ser encarada apenas como uma questão de tomar ou não determinado medicamento. O contexto de uso também é importante. Para que a equipe de saúde tenha uma visão mais completa do estado do paciente, é recomendável informar todos os medicamentos utilizados recentemente, inclusive aqueles que não exigem receita”, orienta.

Por isso, vale levar ao médico os nomes dos medicamentos ingeridos. “Não há motivo para omitir uma automedicação durante o atendimento. Pelo contrário, essa informação ajuda o profissional a avaliar o paciente com mais segurança e a identificar possíveis relações entre o medicamento utilizado e os sintomas apresentados”, ressalta.

A seguir, Cristiane Costa lista situações nas quais a automedicação pode dificultar a avaliação do paciente.

1. Quando o medicamento reduz temporariamente os sintomas

Um analgésico ou antitérmico, por exemplo, pode diminuir dor ou febre durante algumas horas. Embora o alívio seja real, ele também pode fazer com que o paciente chegue ao atendimento apresentando sintomas menos evidentes do que aqueles observados antes da medicação. Por isso, mesmo que o sintoma tenha desaparecido momentaneamente, é importante informar ao profissional o que foi utilizado e quando.

2. Quando diferentes medicamentos são combinados

Tomar mais de um medicamento sem orientação pode aumentar o risco de interações ou fazer com que diferentes produtos tenham efeitos semelhantes sobre o organismo. Isso pode modificar os sintomas apresentados pelo paciente e dificultar a compreensão do quadro. Além disso, nomes comerciais diferentes podem conter o mesmo princípio ativo, aumentando a chance de uso duplicado.

3. Quando o medicamento provoca efeitos que se confundem com a doença

Alguns medicamentos podem causar sintomas como sonolência, tontura, náusea, alterações gastrointestinais ou mudanças na pressão arterial. Quando o paciente não informa que utilizou determinado produto, esses efeitos podem ser confundidos com manifestações da própria doença. Por isso, medicamentos, suplementos e outros produtos utilizados recentemente também devem ser mencionados durante a avaliação.

Médico mostrando prancheta para uma paciente, ambos sentados em um consultório
Mesmo que já não esteja utilizando o produto no momento da consulta, o uso recente de medicamentos pode ser uma informação relevante para o profissional (Imagem: Wasana Kunpol | Shutterstock)

4. Quando o paciente interrompe o medicamento antes do atendimento

A pessoa pode iniciar um medicamento por conta própria e interrompê-lo porque não percebeu melhora ou porque apresentou algum efeito indesejado. Mesmo que já não esteja utilizando o produto no momento da consulta, o uso recente pode ser uma informação relevante para o profissional. O ideal é informar qual medicamento foi utilizado, dose, frequência e período de uso, sempre que essas informações estiverem disponíveis.

5. Quando a automedicação atrasa a procura por atendimento

O alívio temporário de um sintoma pode levar o paciente a adiar a busca por assistência. Quando o efeito passa, a condição pode ter evoluído e apresentar características diferentes das observadas inicialmente. “Um dos principais problemas é acreditar que o desaparecimento momentâneo de um sintoma significa que a causa foi resolvida. Medicamentos podem controlar uma manifestação sem necessariamente tratar o motivo que está provocando aquele quadro”, alerta Cristiane Costa.

6. Quando o profissional não é informado sobre o que foi utilizado

Mesmo que a automedicação já tenha ocorrido, contar ao profissional de saúde é fundamental. Esconder ou esquecer essa informação pode dificultar a interpretação dos sintomas, a avaliação de possíveis efeitos adversos e a escolha de medicamentos posteriormente.

Uma boa prática é levar à consulta as embalagens ou registrar no celular o nome dos medicamentos utilizados, incluindo aqueles que parecem simples, como analgésicos, antialérgicos, anti-inflamatórios e medicamentos para desconfortos gastrointestinais.

Por Deiwerson Damasceno dos Santos

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