Primeiro caça Gripen feito no Brasil faz voo inaugural

Publicado em 07/10/2026, às 13h20
Primeiro Gripen E produzido no Brasil faz voo inaugural no interior de SP - Embraer
Primeiro Gripen E produzido no Brasil faz voo inaugural no interior de SP - Embraer

Por Igor Gielow / Folhapress

O Gripen E, primeiro caça supersônico produzido no Brasil, realizou seu voo inaugural em Gavião Peixoto, marcando um avanço significativo no programa de defesa nacional e na parceria com a fabricante sueca Saab.

O Brasil encomendou 36 aviões, sendo que 15 serão fabricados localmente, e a linha de produção em Gavião Peixoto é a primeira fora da Suécia, com potencial para atender a contratos adicionais, como o da Colômbia.

Apesar de atrasos e cortes orçamentários que afetam a compra de mais 20 unidades, o governo brasileiro observa uma redução nos custos do programa, que agora ocupa a quarta posição em gastos militares, refletindo um progresso na fabricação nacional.

Resumo gerado por IA

O primeiro caça supersônico produzido no Brasil fez seu voo inaugural nesta terça-feira (6). O Gripen E decolou da pista da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista, e completou seu teste sem problemas.

O avião para um piloto é o primeiro dos 15 que serão fabricados na linha conjunta da fabricante sueca Saab e da empresa brasileira, dentro do programa de transferência de tecnologia que é a base do contrato para a compra de 36 aviões pelo Brasil, assinado em 2014.

Na cabine estava o chefe dos pilotos de teste da fabricante sueca, Jakob Högbert. Foram examinados sistemas e o desempenho da aeronave, que havia sido apresentada ao público em um evento em 25 de março.

De lá para cá, foram executados testes de pista e outras verificações antes do voo. Como é uma linha de produção nova, o tempo entre a apresentação do caça e seu teste no ar foi quase o dobro necessário para fazer o mesmo com o Gripen F, apresentado em junho na Suécia.

Esta é a variante para dois pilotos do avião, encomendada especificamente para o Brasil --8 dos 36 caças comprados da Suécia serão nessa configuração. Já voam no Brasil 11 Gripen, 1 deles ainda sendo operado pela Saab para testes e certificação, os demais já entregues à FAB (Força Aérea Brasileira).

A linha de produção da Saab em Gavião Peixoto é a primeira fora da Suécia na história. Além de atender ao contrato da FAB, ela deverá ser empregada para fabricar os 15 Gripen monopostos encomendados pela Colômbia, que também comprou 2 modelos para dois pilotos que serão feitos na sede da Saab, em Linköping.

Outros contratos, como o assinado pela Ucrânia com os suecos, poderão reforçar a necessidade de expansão da linha no Brasil, segundo a empresa. Saab e Embraer firmaram um acordo para a ampliação da parceria.

O governo brasileiro também já anunciou a intenção de comprar mais 20 Gripen E. Aqui, o problema é fiscal: cortes sucessivos de verbas na área da defesa colocam em dúvida o plano.

Custos de desenvolvimento altos, forçando aditivos, e soluços orçamentários ao longo do projeto já provocaram atrasos. Pelo contrato original, que em valores atualizados envolveu R$ 30 bilhões, o último avião deveria ter sido entregue em 2024. Agora, a previsão é 2032.

Ainda assim, com a fabricação nacional e o início da produção do modelo F, que foi desenvolvido ao longo de cinco anos por suecos e brasileiros de forma conjunta, o programa atual mostrou avanços neste ano.

Houve uma redução nos valores gastos pelo governo brasileiro no programa, reflexo de seu encaminhamento. Em 2025, o Gripen deixou de ser o projeto militar mais custoso do país, caindo para a quarta posição no ranking após nove anos em primeiro lugar. Consumiu R$ 965 milhões, ante R$ 1,6 bilhão em 2024.

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