O procurador-geral adjunto do Tennessee (EUA) revelou que o Estado não possui, no momento, uma ordem de execução pendente para Christa Pike, que sobreviveu a duas tentativas de aplicação de injeção letal na semana passada. John W. Ayers, entretanto, não quis responder se a aplicação da pena capital será remarcada, segundo informações apresentadas a um tribunal nesta quarta-feira (7/10).
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Christa, de 50 anos e condenada por homicídio ocorrido em 1995, deveria ter se tornado a primeira mulher a ser executada no Tennessee em mais de 200 anos, em 30 de setembro. Mas o procedimento falho a levou a um hospital em condição grave. De acordo com os advogados da condenada, Christa "superou todos os prognósticos" e agora está consciente, embora algemada ao leito.
Advogados de Christa e representantes do Estado compareceram nesta quarta-feira ao Tribunal de Chancelaria do Condado de Davidson para discutir uma moção de emergência que exige que o Departamento de Correções do Tennessee proteja e preserve todas as provas relacionadas à execução mal-sucedida.
"Não há ordem de execução pendente para a Sra. Pike, nem qualquer alegação de que uma esteja por vir", declarou ao tribunal o procurador-geral adjunto, John W. Ayers, segundo reportagem no "NY Post".
Ao ser questionado pela juíza L'Ashea Myles se o Estado sustentaria a posição de que a execução não seria remarcada, Ayers disse:
"Não posso responder a essa pergunta".
Luke Ihnen, um dos advogados de Christa, afirmou que "o Estado não fez nenhuma promessa de que a Sra. Pike não será submetida a uma execução futura".
Ele acrescentou que a equipe de defesa busca a preservação das provas por considerá-las "relevantes para qualquer contestação futura que ela venha a apresentar".
May Martinez, a mãe de Colleen Slemmer, a vítima de Christa, afirmou que não acredita que o Estado volte a tentar aplicar a pena capital no caso.
O crime
Christa, aos 18 anos, e o seu então namorado, Tadaryl Shipp, com a ajuda de uma amiga, Shadolla Peterson, espancaram e torturaram até a morte Colleen Slemmer, de 19 anos.
O casal de namorados havia levado um pedaço do crânio de Colleen, uma migrante da Flórida que tentava a vida no Tennessee, como "lembrança" do crime brutal.
Christa temia que Colleen estivesse tentando "roubar o seu namorado", o que a levou a orquestrar o crime contra a "rival amorosa", disse a promotoria. Tadaryl teria concordado em participar para mostrar a sua fidelidade.
Os advogados de Christa solicitaram à Suprema Corte a suspensão da execução, citando o sofrimento dela com transtorno de estresse pós-traumático e o possível "sofrimento mental severo e terror psicológico adicional" decorrentes de ser amarrada a uma maca para receber a injeção letal. O apelo não foi aceito.
Por causa de abusos sofridos desde a infância, Christa pediu que todos os envolvidos na sua execução fossem mulheres. O pedido não foi atendido. Depois, a americana, dizendo estar "aterrorizada" com o processo de injeção letal, solicitou que fosse executada por enforcamento. O método, entretanto, não é usado no Tennessee desde o início do século passado.
Tadaryl recebeu sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. No entanto, ele foi condenado posteriormente em 2004 por tentar estrangular outro detento durante uma briga na prisão, o que acrescentou 25 anos à sua pena. Na prisão, ele se converteu ao islamismo.
Shadolla, a outra comparsa, recebeu liberdade condicional após se tornar informante no caso do Estado contra Christa e Tadaryl.
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