Polícia

Promotor é apontado como ‘braço forte’ e ‘alicerce’ de quadrilha em PE

Redação com informações do NE10 | 09/08/18 - 09h58 - Atualizado em 09/08/18 - 10h13
Diário de Pernambuco

Um promotor de Justiça de Pernambuco é apontado numa investigação da Polícia Civil como sendo o “braço forte”, o “alicerce”, o “porto seguro”, “capaz de minimizar, interferir e solicitar demandas em prol de membros do grupo criminoso”, em um relatório da Polícia Civil enviado ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

O promotor de Execuções Penais Marcellus Ugiette, investigado por corrupção passiva, foi afastado do cargo, após ser apontado como suspeito de corrupção passiva, numa operação que desarticulou um grupo de cerca de 20 pessoas, entre elas um ex-PM e dois advogados, é suspeito de crimes como estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capital, advocacia administrativa e furto qualificado.

O documento relata que o promotor teria beneficiado o grupo colocando todos na mesma unidade prisional em troca de dinheiro e até presentes. 

As investigações apontam ainda que detentos se referiam ao promotor pelo codinome de “Anjo”. Com o avançar do caso, um dos suspeitos se referiu ao promotor pelo nome verdadeiro. Como tem foro privilegiado, o promotor passou a ser investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPE.

Marcellus Ugiette negou qualquer interferência. “Serei inocentado dessas graves acusações”. O advogado dele confirmou que a prisão do promotor também foi solicitada, mas o Ministério Público, que também investiga o caso, deu parecer contrário e só manifestou-se favorável ao cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete dele.

FORÇA-TAREFA

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) designou uma força-tarefa para analisar os processos criminais que estavam sob a responsabilidade dele. Seis promotores de Justiça compõem o grupo de trabalho que avalia possíveis irregularidades e também de agilizar o andamento dos processos da 19ª e da 54ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, ambas com atuação na Vara de Execuções Penais.

O Grupo de Atuação Criminal Especial (Gace), como a força-tarefa é chamada, vai atuar até o dia 31 de agosto, segundo a portaria. O resultado do trabalho poderá também contribuir para a investigação administrativa que está sendo conduzida pela Corregedoria do Ministério Público e que pode resultar em punições ao promotor, caso as denúncias sejam comprovadas.

A Procuradoria Geral de Justiça também publicou edital para que promotores da capital possam se candidatar à vaga de titular das duas promotorias que estavam sob a responsabilidade de Ugiette. A escolha deve ocorrer até o final do mês.