Najmeh Amini, uma estudante iraniana de 23 anos, foi condenada à morte por blasfêmia e mais de 12 anos de prisão por acusações de segurança nacional, após publicar comentários durante um estado alterado de consciência. Sua condenação reflete a repressão severa do regime iraniano contra críticas e protestos, especialmente entre os jovens.
A prisão de Najmeh ocorreu em meio a protestos antigoverno que começaram devido à desvalorização da moeda e ao aumento do custo de vida, resultando em milhares de mortes, segundo organizações de direitos humanos. O regime admite a morte de 3.117 pessoas, enquanto ativistas relatam mais de 7.000 mortes, incluindo manifestantes.
Atualmente, Najmeh está detida na prisão de Vakilabad, onde enfrentou tortura psicológica e negação do direito de escolher seu advogado. Sua defesa está apelando ao Supremo Tribunal do Irã, enquanto mais de 600 execuções foram registradas no país neste ano, sem data definida para a execução dela.
Najmeh Amini engrossou a lista de centenas de iranianos que foram condenados à morte neste ano. A pena se refere a blasfêmia e mais de 12 anos de prisão por acusações relacionadas à segurança nacional e à divulgação de propaganda contra o regime do Irã.
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Uma fonte próxima à família de Najmeh informou à organização Human Rights Activists in Iran (HRAI), sediada nos EUA, que ela foi condenada à morte sob a acusação de "sab ol-nabi" (insulto ao profeta Maomé). O conteúdo exato de suas publicações não foi divulgado publicamente.
Najmeh afirma que publicou os comentários enquanto tinha alucinações após consumir cogumelos alucinógenos com amigos. O advogado dela sustentou que as declarações foram um deslize verbal, mas o juiz rejeitou a tese da defesa. O magistrado questionou por que ela não insultou outras pessoas ou adversários do regime, como os EUA e Israel, se estava nesse estado. A sentença de morte foi proferida em 16 de setembro.
A iraniana tem 23 anos e é estudante universitária de Contabilidade. Antes de ser presa, Najmeh residia e estudava em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, localizada no nordeste do país.
As atividades online de Najmeh já estavam sendo monitoradas de perto pela Fata (Polícia Cibernética do Irã). Ela pertencia a um grande grupo de jovens acusados de radicalizar as críticas contra o regime islâmico.
Em 31 de janeiro de 2026, Najmeh foi presa de forma violenta por forças de segurança ao sair do Shopping Ferdowsi, um dos centros comerciais mais movimentados de Mashhad.
Segundo o regime de Teerã, a universitária se envolveu nos protestos antigoverno que varreram o país no início deste ano. As manifestações foram motivadas, inicialmente, pela desvalorização da moeda local e pelo aumento do custo de vida. Milhares de estudantes e jovens aderiram aos atos públicos, que foram reprimidos com grande rigor pelas forças de segurança.
Autoridades admitiram oficialmente a morte de 3.117 pessoas, incluindo civis, forças de segurança e manifestantes classificados pelo governo como "terroristas". Organizações de defesa dos direitos humanos falam em ano menos 7.015 mortes, sendo mais de 6.500 manifestantes.
Najmeh está sendo mantida na prisão de Vakilabad. Segundo relatos da entidade Iran Human Rights Monitor, a iraniana passou por períodos de isolamento e tortura psicológica durante os interrogatórios, além de ter tido o direito de escolher o próprio advogado negado pelas autoridades judiciais iranianas na primeira instância.
Não foi estabelecida uma data para a execução da universitária, já que a sua defesa está apelando ao Supremo Tribunal do Irã. Segundo a HRAI, mais de 600 pessoas foram executadas no país somente neste ano.
"Não quero me transformar numa heroína. Só quero uma coisa: que sejam a minha voz. Sou uma jovem inocente com tantas esperanças e sonhos. Tenho pais que estão à minha espera. Uma família que, todas as noites, com medo de me perder, transforma a noite em manhã", disse a iraniana em gravação de áudio feita em setembro em que ela apela por intervenção internacional, solicitando à ONU, a advogados e a grupos de defesa de direitos que investigassem o seu caso.
A questão legal
O Código Penal Islâmico define o "sab ol-nabi" como um crime punível com a morte e determina a aplicação obrigatória dessa punição a quem insultar Maomé ou qualquer outro profeta divino ou acusá-los de qazf, termo jurídico islâmico que significa fazer uma falsa acusação de falta de castidade contra alguém.
No entanto, o artigo 263 estabelece hipóteses de defesa que podem afastar a punição, como quando o acusado afirma ter feito as declarações sob coerção, em estado de embriaguez ou intoxicação, por um lapso de linguagem ou sem atentar para o significado das palavras. Em certas circunstâncias, a punição pode ser substituída por até 74 chibatadas.
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