"O ministro dos Transportes, Renan Filho, defende que o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição caminhe para o centro e reconhece que uma eventual oferta da vaga de vice na chapa ao MDB pode ajudar na negociação pelo apoio do partido. Pré-candidato ao governo de Alagoas, ele afasta a hipótese de estar na mesma aliança do deputado Arthur Lira (PP-AL), composição que já foi defendida por Lula.
O MDB vai apoiar Lula?
O MDB só define para onde vai caminhar em convenção. A gente (a ala governista do MDB) tem condição de ganhar. Obviamente, depende do processo de negociação (com o governo). Os resultados econômicos e sociais do Brasil são muito melhores do que os de um passado recente.
O apoio está condicionado a uma eventual vaga de vice?
O MDB é muito importante para ampliar, do ponto de vista administrativo e ideológico, a candidatura do presidente Lula. Precisa construir uma frente mais ampla do que o PT e do que o próprio presidente Lula, a fim de ocupar o máximo possível do centro político, isolando o bolsonarismo na extrema direita. A divisão da direita e a retirada da candidatura do Tarcísio (de Freitas) ocorrem nessa direção.
A oferta de vice ajudaria, então?
Lideranças como o senador Eduardo Braga têm razão (ao defenderem mais espaço ao partido), porque o MDB tem projetos políticos. A negociação será ditada pela proposta para os próximos quatro anos, a linha da economia... E, sim, a própria participação (do MDB) no governo e a composição da chapa.
Lula sinalizou que Alckmin pode não seguir como vice...
O presidente está verificando qual é a melhor aliança que amplia a possibilidade de reeleição. E digo isso com a certeza de que o vice-presidente Geraldo Alckmin é um grande vice e ampliou essa aliança neste primeiro mandato. Haverá um novo debate sobre isso.
O senhor pode ser vice?
Sou pré-candidato ao governo de Alagoas. E vou participar da discussão (sobre vice).
Há uma indefinição em Alagoas por conta da possível candidatura do prefeito de Maceió, JHC, ao governo ou ao Senado. Seria descumprir um acordo?
Nunca pedi a ele (JHC) que não fosse candidato. Em Alagoas, o MDB tem cerca de 80 prefeituras, a maior parte da Assembleia, dois deputados federais, dois senadores, o governo do estado e o apoio do presidente Lula na eleição local. Do outro lado, é melhor que eles próprios comentem.
Uma das vagas ao Senado será do senador Renan Calheiros. E a outra?
Não precisamos escalar todo mundo agora.
Lula já defendeu ter no mesmo palanque Renan e Lira, que são adversários. Como isso funcionaria?
O presidente Lula deve ter o maior número de apoios possível, mas isso não implica estarmos no mesmo palanque do Lira, que atrapalha o estado. Ele mandou no Orçamento Secreto no governo Bolsonaro, mas não tem uma obra relevante no estado que tenha sido liderada por ele. Seria trazer para o seu time aquele que faz o gol contra. Mas isso não quer dizer que eu ache que ele não deva apoiar o presidente. Se ele puder votar, acho bom. Não votou na última eleição.
A reforma da CNH é vista no governo como um acerto, mas há críticas ao processo de retirada da baliza do exame para obter a habilitação. É um risco para o trânsito?
A crítica não é justa. A baliza não seleciona quem sabe ou não dirigir, e a pessoa não vai não vai deixar de aprender, ela só não vai constar na prova. O exame tinha virado uma indústria da reprovação.
Há o argumento de que vai reduzir a segurança.
A segurança no trânsito não está relacionada com acidentes na hora da baliza, mas com excesso de velocidade, consumo de álcool e o uso de celular ao volante. Mantivemos as provas e desburocratizamos o processo.
Essa vai ser uma bandeira de campanha?
É uma política pública popular que vai na direção do que as pessoas precisam. Chega na ponta, o que obviamente tem força.
A segurança pública estará entre os principais temas da eleição. É uma das fragilidades do governo?
Não acho. O problema da direita no tema da segurança pública é o resultado. O governo está pronto para fazer esse debate. Vai ser muito legal de ver em São Paulo a Simone Tebet enfrentando o (Guilherme) Derrite, ou o (Fernando) Haddad enfrentando Tarcísio (de Freitas) ou Derrite. Eles têm resultados piores do que os de (Geraldo) Alckmin, (João) Doria, Rodrigo Garcia e Mário Covas. A violência aumentou. Fazer arminha com a mão não resolve.
Tebet terá que sair do MDB para ser candidata?
O MDB deveria dar a chapa a ela. Partido político que não utiliza os seus melhores nomes na eleição por interesses de terceiros não tem como ir para frente. Se não der a vaga, ela vai ser convidada, como já tem sido, por outras agremiações.
O caso do Banco Master vai ser explorado pela oposição na campanha, e o presidente Lula recebeu o Daniel Vorcaro fora da agenda. Como reagir?
O governo não tem relação com esse caso. O presidente Lula recebeu o Vorcaro como recebeu outros representantes de instituições financeiras do Brasil. São muito claras as ligações do Master com a oposição. Vai ser tema de eleição e é importante, porque talvez tenha sido o maior desfalque do sistema financeiro nacional. As investigações estão sendo feitas neste governo.
O Ministério dos Transportes tem uma série de leilões previstos para este ano eleitoral. O que será entregue?
Se eu sair em março, devo fazer dois leilões, mas o restante já está na agenda e será cumprido. Ampliamos muito a capacidade de atrair investimento privado. Podemos chegar a 23 leilões em 2026, entre rodovias e ferrovias. Isso aumenta o investimento em infraestrutura e desonera o Tesouro. Vamos chegar a mais de R$ 400 bilhões de investimentos contratados em quatro anos."
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