Alagoas, que possui a maior proporção de pessoas com deficiência do Brasil, registrou em 2022 o menor rendimento médio mensal para domicílios com pelo menos um morador com deficiência, totalizando R$ 2.591, o que representa uma diferença significativa em relação ao Distrito Federal, que teve o maior rendimento de R$ 6.259.
O rendimento domiciliar per capita médio para pessoas com deficiência em Alagoas foi de R$ 937, o segundo menor do país, e a ocupação no mercado de trabalho é alarmantemente baixa, com apenas 25% das pessoas com deficiência empregadas, em comparação a 46,7% entre aquelas sem deficiência.
O estudo do IBGE também revela que Alagoas se destaca na estrutura educacional, com 42,9% das escolas possuindo salas de recursos para Atendimento Educacional Especializado, enquanto apenas 14 dos 102 municípios têm conselhos dedicados aos direitos das pessoas com deficiência, evidenciando a necessidade de políticas públicas mais robustas.
Alagoas, estado com a maior proporção de pessoas com deficiência do país, apresentou o menor rendimento médio mensal dos arranjos domiciliares com pelo menos um morador com deficiência. Em 2022, esse valor era de R$ 2.591, 58,6% abaixo dos R$ 6.259 registrados no Distrito Federal, que apresentou o maior rendimento do país.
LEIA TAMBÉM
A diferença também aparece dentro do próprio estado. Em Alagoas, os arranjos domiciliares sem moradores com deficiência apresentavam rendimento médio de R$ 3.232, frente aos R$ 2.591 registrados naqueles com pelo menos um morador com deficiência.
Os dados integram a segunda edição do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado nesta sexta-feira (18) pelo IBGE.
O estudo reúne informações sobre diferentes dimensões das condições de vida e da participação social das pessoas com deficiência, como trabalho e rendimento, educação, participação e gestão, moradia, deslocamento e características familiares.
O Censo Demográfico 2022 já havia mostrado que 292 mil pessoas de 2 anos ou mais tinham deficiência em Alagoas, o equivalente a 9,6% dessa população, maior proporção do país.
O novo estudo amplia esse retrato ao reunir indicadores que permitem observar desigualdades enfrentadas por essa população em diferentes áreas.
2º menor rendimento domiciliar per capita do país
Além do menor rendimento médio dos domicílios com pelo menos um morador com deficiência, Alagoas também aparece entre os estados com menores rendimentos quando a análise é feita por pessoa.
O rendimento domiciliar per capita médio das pessoas com deficiência em Alagoas era de R$ 937, o segundo menor do país, superior apenas ao Maranhão, com R$ 895.
O indicador corresponde, de forma simplificada, à renda mensal do domicílio dividida pelo número de seus moradores considerados no cálculo. Entre as pessoas sem deficiência em Alagoas, o rendimento domiciliar per capita médio chegava a R$ 1.057.
A composição da renda também revela diferenças importantes. Nos domicílios alagoanos com pelo menos uma pessoa com deficiência, 47,2% do rendimento total vinha do trabalho, enquanto 52,8% tinha origem em outras fontes.
Nos domicílios sem pessoas com deficiência, o trabalho tinha participação bem maior, respondendo por 72,2% da renda, enquanto as demais fontes representavam 27,8%.
As chamadas “outras fontes” são rendimentos que não vêm do trabalho e incluem, por exemplo, aposentadorias e pensões, benefícios de programas sociais governamentais, aluguéis e rendimentos de aplicações financeiras.
No conjunto do país, essa diferença na composição da renda também aparece. Nos domicílios com pessoas com deficiência, o trabalho respondia por 55,7% do rendimento total e as outras fontes, por 44,3%. Já nos domicílios sem pessoas com deficiência, 78,4% da renda vinha do trabalho e 21,6%, das demais fontes.
Apenas um quarto das pessoas com deficiência estava ocupado
As desigualdades também aparecem na inserção no mercado de trabalho. Em Alagoas, o nível de ocupação das pessoas de 14 anos ou mais com deficiência era de 25,0%, ante 46,7% entre aquelas sem deficiência.
O nível de ocupação das pessoas com deficiência era o quarto menor entre as Unidades da Federação, ficando acima apenas de Paraíba (22,0%), Piauí (22,1%) e Sergipe (24,5%).
Entre as pessoas com deficiência que estavam ocupadas em Alagoas, 50,5% contribuíam para a Previdência. O percentual era o segundo maior do Nordeste, empatado com a Paraíba, e inferior apenas ao Rio Grande do Norte (52,5%).
Alagoas lidera Nordeste em escolas com salas de recursos para AEE
Se os indicadores de trabalho e rendimento revelam importantes desigualdades, os dados sobre a estrutura das escolas colocam Alagoas em posição de destaque. Em 2025, 42,9% das escolas alagoanas possuíam salas de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado (AEE).
O percentual era o maior do Nordeste e o quinto maior do país, atrás apenas de Rondônia (50,7%), Espírito Santo (47,6%), Rio Grande do Sul (46,6%) e Distrito Federal (44,7%).
Alagoas também se destacou na presença de profissionais de apoio para alunos com deficiência. Eles estavam disponíveis em 40,8% das escolas do estado, o segundo maior percentual do Nordeste, atrás somente do Rio Grande do Norte (42,6%), e o sexto maior do Brasil.
Quando considerados os recursos de acessibilidade na estrutura física, 86,2% das escolas alagoanas tinham pelo menos um dos recursos investigados, enquanto 57,7% contavam com banheiro acessível.
Mulheres são maioria entre pessoas com deficiência em Alagoas
Das 292 mil pessoas com deficiência de 2 anos ou mais contabilizadas em Alagoas, 172 mil eram mulheres e 120 mil eram homens. A proporção de pessoas com deficiência também era maior entre elas: 10,8% das mulheres tinham deficiência, contra 8,2% dos homens.
A ocorrência de deficiência aumenta com a idade. Em Alagoas, 28,2% das pessoas de 60 anos ou mais tinham deficiência, maior percentual entre as Unidades da Federação. Em números absolutos, eram 115 mil pessoas com deficiência nessa faixa etária. Outras 102 mil tinham entre 40 e 59 anos. Juntas, essas duas faixas concentravam cerca de 74,3% das 292 mil pessoas com deficiência no estado.
14 municípios tinham conselho dos direitos da pessoa com deficiência
O estudo também apresenta informações sobre a estrutura dos governos municipais para promoção dos direitos das pessoas com deficiência. Dos 102 municípios alagoanos, 14 tinham Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência, sendo 10 considerados ativos.
Outro indicador mostra que apenas dois municípios reuniam a existência de Fundo Municipal para os Direitos da Pessoa com Deficiência e uma gestão que desenvolvia política ou programa de promoção desses direitos. Neles viviam aproximadamente 4 mil pessoas com deficiência, equivalentes a 1,5% dessa população no estado.
Por outro lado, 60 municípios alagoanos tinham política ou programa de promoção dos direitos da pessoa com deficiência, e 59 desenvolviam pelo menos uma das ações ou medidas investigadas. Entre as ações mais presentes estavam a inclusão no ambiente escolar, em 50 municípios, e a prevenção à discriminação, em 49.
Acessibilidade digital chega à maioria da população com deficiência
A presença de recursos de acessibilidade nos serviços digitais das prefeituras alcançava parcela elevada da população. Em Alagoas, 96,8% das pessoas com deficiência viviam em municípios cuja página da prefeitura apresentava pelo menos uma das características de acessibilidade digital investigadas.
Já 7,0% viviam em municípios cujas páginas reuniam todas as características pesquisadas, segundo maior percentual do Nordeste. Além disso, 73,3% das pessoas com deficiência residiam em municípios que utilizavam algum modelo de acessibilidade digital.
Em relação à Libras, 12 municípios alagoanos tinham, em 2023, pessoal capacitado na sede da prefeitura para atendimento na Língua Brasileira de Sinais. Em 2024, 23 municípios disponibilizavam tradução de conteúdo em Libras na página da internet e nos serviços eletrônicos municipais.
Sobre o estudo
A segunda edição do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil reúne indicadores de diferentes fontes para traçar um panorama das condições de vida e da participação social das pessoas com deficiência. A publicação aborda temas como trabalho e rendimento, educação, deslocamento para estudo e trabalho, participação e gestão, moradia, além de núcleo familiar, nupcialidade e fecundidade.
A primeira edição do estudo foi divulgada pelo IBGE em setembro de 2022. Nesta segunda edição, o informativo traz dados inéditos a partir do cruzamento de dados do Censo Demográfico 2022 e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), além de fontes externas como o Censo Escolar e o Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Painel Estatístico de Pessoal, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Para Luanda Botelho, Coordenadora de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, a principal contribuição é a forma transversal pela qual os temas são apresentados. "Esse informativo articula temas que perpassam a participação das pessoas com deficiência em dimensões da vida pública, alcançam a esfera familiar e enfatizam as barreiras de acesso a direitos."
Como as informações são provenientes de diferentes levantamentos, os anos de referência variam de acordo com o indicador analisado.
+Lidas