Ronaldinho Gaúcho expressou seu arrependimento por não ter estado presente no nascimento de seu filho, João Mendes, em 2005, enquanto sua carreira no Barcelona o mantinha na Espanha, destacando a dificuldade de equilibrar a vida profissional e familiar.
João, agora com 21 anos e jogador do Hull City U21, reflete sobre a infância marcada pela ausência do pai, mas reconhece que a relação se fortaleceu na vida adulta, transformando-se em uma amizade além do vínculo familiar.
Ronaldinho compartilha suas inseguranças sobre a conexão com o filho, mas se sente aliviado ao ver João seguindo seus passos no futebol, reafirmando seu amor e a importância da relação entre eles, que agora é repleta de apoio mútuo.
Entre tantas cenas de vitória no futebol, nenhuma delas conseguiu preencher uma lacuna na vida de Ronaldinho Gaúcho: a imagem do único filho nascendo.
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João Mendes veio ao mundo em 22 de fevereiro de 2005. O pai não estava em campo, mas morava na Espanha e era a estrela do Barcelona que, na semana seguinte, iria para as oitavas de final da Champions League. Vir ao Brasil assistir ao parto estava fora de cogitação.
"Uma coisa que me arrependo é de não estar no nascimento do meu filho. Se eu pudesse escolher, eu não repetiria", revela ele, num documentário sobre sua vida e obra no futebol mundial.
João é fruto do relacionamento entre Ronaldinho e Janaína Mendes, que conheceu o jogador quando era uma das bailarinas do Faustão. Foi ela quem tomou as rédeas da criação do menino, não o deixando exposto por ser filho de um ídolo mundial.
"Acho que minha mãe tentou deixar minha infância o mais normal possível. Mas, sabendo quem meu pai era, já não seria tão normal assim", opina João, hoje com 21 anos.
Ele foi ouvido em Londres, onde mora com a mulher Giovanna Buscacio, e a filha que os dois tiveram, a primeira neta de Ronaldinho.
"Hoje, vivendo de futebol, eu entendo que você perde muitas coisas da sua vida", avalia o jovem, que atua pelo Hull City U21, pela segunda divisão do campeonato inglês.
A reflexão sobre as perdas também é feita pelo Bruxo que, em muitos momentos da gravação, se emociona ao falar da relação pai e filho:
"Os aniversários eram os mais difíceis... Ou estava em outro país, ou estava concentrado, ou tinha que jogar. E essa era a pior parte".
A ausência na infância, segundo João, foi preenchida na fase adulta com pai compartilhando, além da mesma profissão, gostos em comum:
"A nossa relação hoje em dia, além de pai e filho, é de amizade. Somos bem parceiros, a gente gosta de escutar música juntos, de jogar um futevôlei... Ele acompanha, me apoia, é uma relação maravilhosa".
Ronaldinho confessa que teve medo de não conseguir se conectar com o herdeiro:
"Sempre tive medo de que, quando ele ficasse grande, não entendesse todas às vezes que eu não estive num aniversário, que não estive quando ele nasceu, em várias coisas e situações importantes... Hoje, ele vivendo o mesmo que vivi, é mais fácil ele me perdoar e me entender. Fico feliz que ele está seguindo o sonho dele. Ele sabe o quanto eu o amo, independentemente de todos os meus erros. E hoje eu não perderia o nascimento dele por jogo nenhum".
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