Saiba por que a comida humana nem sempre é segura para pets

Médica-veterinária explica como a alimentação inadequada pode provocar desequilíbrios em cães e gatos

Publicado em 02/02/2026, às 19h30
Além de conter substâncias tóxicas, a comida do tutor raramente atende às necessidades nutricionais dos pets (Imagem: Krakenimages.com | Shutterstock)
Além de conter substâncias tóxicas, a comida do tutor raramente atende às necessidades nutricionais dos pets (Imagem: Krakenimages.com | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Um pedacinho de carne aqui, uma sobra ali… pode até parecer um gesto de carinho oferecer sua comida ao pet, mas o que para nós é alimento “de verdade” nem sempre é seguro para cães e gatos. Quando o assunto é alimentação, cuidado e atenção aos riscos devem sempre andar juntos.

Segundo a médica-veterinária da Pet Delícia Yeda Markowitsch, a ideia de oferecer alimentos frescos aos animais faz sentido, e, quando bem-feita, pode trazer diversos benefícios. O problema é a confusão entre alimentação natural balanceada e comida do prato do tutor. Embora pareçam semelhantes, elas são completamente diferentes do ponto de vista nutricional.

“A alimentação natural de verdade é formulada por médico-veterinário e leva em conta as necessidades específicas de cada animal. Ela inclui quantidades adequadas de proteínas, gorduras, aminoácidos, vitaminas e minerais. Já a comida do prato do tutor, além de conter temperos e ingredientes tóxicos, quase sempre é nutricionalmente desbalanceada para cães e gatos”, explica.

Essa diferença também se reflete no mercado. O segmento de pet food natural movimentou R$ 71,15 bilhões em 2024 e deve alcançar R$ 146,71 bilhões até 2033, segundo a Research Intelo, impulsionado por receitas desenvolvidas especificamente para cães e gatos, e não pela simples adaptação da comida humana.

Saudável para nós, perigoso para eles

Mesmo alimentos aparentemente saudáveis para humanos podem causar desde distúrbios gastrointestinais até doenças graves. “O desbalanceamento nutricional e o excesso de gordura e temperos podem provocar gastroenterite, pancreatite, além de, a longo prazo, comprometer a imunidade, gerar problemas ósseos, queda de pelo e até alterações renais e cardíacas”, alerta Yeda Markowitsch.

A médica-veterinária ainda reforça que muitos erros acontecem justamente em situações cotidianas, quando o tutor não percebe o risco. “O organismo do animal não foi feito para lidar com grandes quantidades de gordura. A pancreatite aguda, por exemplo, é um problema comum quando o tutor oferece carne muito gordurosa, algo que acontece com frequência em momentos de confraternização, como churrascos”, afirma.

Cachorro branco com mancha preta no olho observa uma barra de chocolate segurada por mãos com luvas
O chocolate está entre os alimentos mais perigosos para os pets (Imagem: Photo_Bazileva | Shutterstock)

Alimentos comuns que podem ser perigosos para cães e gatos

O que faz parte da rotina alimentar humana nem sempre é seguro para os pets. Alguns ingredientes bastante comuns à mesa oferecem riscos diretos à saúde dos animais:

  • Alho e cebola: podem levar à anemia hemolítica, pois destroem os glóbulos vermelhos;
  • Chocolate: contém uma substância chamada teobromina, que os animais não metabolizam e, por isso, é tóxica ao organismo;
  • Café: estimula excessivamente o organismo do animal, podendo levar à convulsão e até à morte;
  • Uva e uva passa: contém tanino, que pode provocar insuficiência renal aguda;
  • Gorduras em excesso: o organismo não consegue metabolizar e pode causar pancreatite aguda. É o caso do famoso churrasco, quando alguns responsáveis oferecem muita carne gordurosa ao animal;
  • Leite: muitos animais são intolerantes à lactose, o que pode gerar gases e diarreia.

Dá para preparar a comida do pet em casa?

Sim, mas não no improviso. A preparação de refeições caseiras só é segura quando feita com acompanhamento de um médico-veterinário nutrólogo, responsável por formular a dieta de forma adequada. “O cálculo nutricional leva em conta idade, peso, nível de atividade, possíveis doenças e até características individuais do animal. Sem isso, o risco de deficiência de nutrientes como cálcio, fósforo, zinco, taurina e vitaminas é muito alto”, explica a especialista.

A orientação, segundo Yeda Markowitsch, é buscar sempre acompanhamento profissional e fazer a transição alimentar de forma gradual. “A introdução deve acontecer aos poucos, com planejamento e equilíbrio nutricional. Assim, o tutor consegue oferecer os benefícios da alimentação natural sem causar desconfortos gastrointestinais ao animal”, conclui a médica-veterinária.

Por Thays Ferreira

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