Saúde

Secretários municipais de saúde divergem sobre o lockdown em Alagoas

Lelo Macena e João Victor Souza | 19/05/20 - 18h30 - Atualizado em 20/05/20 - 15h32
União, na Zona da Mata, foi alvo da operação "Pandemia Covid-19 – Tolerância Zero" | Foto: Ascom MPE

Em meio à pandemia de coronavírus e ao crescimento do número de casos e de mortes por covid-19 em Alagoas, secretários municipais de saúde travam uma batalha árdua contra a doença, que avança sobre as cidades alagoanas. Unidos no combate à doença, os gestores de saúde divergem quando o assunto é lockdown, termo em inglês referente a um bloqueio total do estado, com um confinamento mais amplo. A complexidade da medida e o envolvimento de outras áreas, além da saúde, seriam os motivos das divergências.  Segundo o boletim desta terça-feira, 19, da Secrestaria de Estado da Saúde, Alagoas tem 4.319 registrados em 85 cidades do estado

Para a secretária de saúde de União do Palmares, Geany Vergeth, o lockdown seria essencial nesse momento do avanço do vírus em Alagoas. Segundo ela, de fato, existe a divergência, mas a maioria dos secretários de saúde seria a favor do isolamento ainda mais radical. A cidade da Zona da Mata hoje foi alvo da operação "Pandemia Covid-19 – Tolerância Zero" foi deflagrada pelo Ministério Público. 

“Na minha opinião, o lockdown seria essencial para fazer com que houvesse o achatamento da curva e a diminuição do número de pessoas infectadas. Também para que nossos hospitais pudessem ganhar fôlego, pois o sistema de saúde está quase em colapso.”, diz a gestora da cidade situada na Zona da Mata de Alagoas, que já registrou sete mortes pela covid-19.

Segundo ela, se houvesse colaboração da população, a situação não precisaria chegar a esse ponto. “A pessoas ainda não entenderam a gravidade da doença e a devastação que a covid-19 vem fazendo na população, inclusive com pessoas de nossas famílias. Ainda vemos muita gente nas ruas, idosos, crianças, e isso tem sido uma preocupação para nós. Quando uma pessoa sai de casa e diz ‘vou ali, volto já’, quando voltar, essa pessoa estará provavelmente contaminada, e vai contaminar os entes queridos dentro de casa”, diz, ao explicar como se dá a proliferação do vírus.

Santa Luzia do Norte

A secretária de Saúde de Santa Luzia do Norte, Cláudia Gomes Figueiredo, está à frente do combate à doença na cidade que apresenta a maior taxa de infestação do estado. “É uma situação de muita preocupação, pois as pessoas não seguem as nossas recomendações. Nós vemos pessoas que testaram positivo caminhando nas ruas, por mais que nós orientemos sobre a necessidade da quarentena”, diz a secretária Cláudia Gomes.

Para ela, o lockdown seria a medida correta a ser adotada neste momento. “Neste momento talvez pudesse nos ajudar muito, nem que seja por dez dias. Sabemos da questão da economia, mas o mais importante é salvar vidas”.

Secretárias: Cládia Gomes (Santa Luzia) e do  Norte e União (Geany Vergeth) apoioam lockdown

Presidente do Cosems: “Não é o momento”

Para o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), e secretário de Saúde do município de Jundiá, Rodrigo Buarque, ainda não seria o momento de aplicar o lockdown em Alagoas. Ele acredita que as medidas de isolamento já impostas, com sua ampliação, podem tentar derrubar a curva do covid-19 no Estado. 

"O isolamento social é necessário. O lockdown preocupa porque é o bloqueio total e afeta outros sistemas, não só saúde. A economia, por exemplo. Acredito que podemos insistir mais alguns dias com essas medidas de isolamento, pois através de declarações de infectologistas, de pesquisadores, e pelo trabalho que estamos desenvolvendo, creio que devemos esperar mais um pouco", disse Rodrigo Buarque.

Presidente do Cosems: lockdown não é unanimidade / Foto: Ascom

Sobre o entendimento dos secretários de saúde dos 102 municípios alagoanos, o presidente do Cosems destacou que não há um pensamento único sobre a medida. "Não existe consenso, há divergências. Depende de outros órgãos também para funcionar adequadamente, é na parte da segurança, na saúde, então é algo que diverge muitos secretários, mas todos têm um pensamento em comum, que é encontrar a melhor forma para combater o vírus", afirmou.

O TNH1 tentou, mas não conseguiu contato com secretários de outros municipios.