Servidor e ex-servidor público mantinham esquema de fraude habitacional em Maceió, diz polícia

Publicado em 09/06/2026, às 12h37
Promessa envolvia, principalmente, apartamentos entregues pela Prefeitura de Maceió no bairro Santa Amélia - Foto: Secom Maceió
Promessa envolvia, principalmente, apartamentos entregues pela Prefeitura de Maceió no bairro Santa Amélia - Foto: Secom Maceió

por Eberth Lins

Publicado em 09/06/2026, às 12h37

A segunda fase da Operação Teto de Vidro investiga um esquema de golpes financeiros em Maceió, envolvendo promessas de acesso à casa própria por meio de pagamentos indevidos, com foco em um ex-servidor municipal e um servidor estadual.

O esquema causou um prejuízo estimado em meio milhão de reais, afetando mais de 50 vítimas, e envolvia complexas movimentações financeiras para ocultar a origem dos valores, caracterizando lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil está rastreando os valores obtidos ilegalmente e já apreendeu bens e documentos dos investigados, enquanto a Prefeitura de Maceió orienta as vítimas a registrarem boletins de ocorrência e reafirma que não cobra taxas para programas habitacionais.

Resumo gerado por IA

Endereços ligados a um ex-servidor público municipal comissionado e um servidor estadual foram alvos da segunda fase da Operação Teto de Vidro, que investiga um esquema de golpes financeiros envolvendo a promessa de acesso à casa própria em Maceió.

De acordo com a investigação, os suspeitos atuavam prometendo facilitar a inclusão de vítimas em programas habitacionais da Prefeitura de Maceió mediante pagamento de valores indevidos, prática que é reprovada pelo município.

O servidor estadual não foi preso, mas foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços ligados a ele. Além disso, a Justiça determinou medidas cautelares, como o afastamento do serviço público e a proibição de assumir novas funções em órgãos públicos.

Já o ex-servidor municipal, preso na primeira fase da operação, é apontado como um dos articuladores do esquema. Segundo a delegada Michely Santos, ele utilizava sua antiga função para ganhar a confiança das vítimas.

Delegada Michely Santos detalhou esquema durante entrevista nesta terça
Delegada Michely Santos detalhou esquema durante entrevista nesta terça

“Ele participou de forma isolada do golpe. Não havia envolvimento da secretaria como um todo nem do município. Era um servidor específico. Ele selecionava novas vítimas”, disse a delegada.

Ainda segundo a investigação, o servidor estadual também teria participação no esquema, que envolvia movimentações financeiras complexas para ocultar a origem dos valores.

“Todo o dinheiro recebido era enviado via Pix para pessoas ligadas aos investigados e depois retornava para eles, caracterizando uma blindagem patrimonial”, detalhou a delegada.

Nesta fase, a Polícia Civil busca rastrear e recuperar os valores obtidos ilegalmente, com foco no ressarcimento das vítimas. “Nossa prioridade é identificar quem recebia os valores e como eles eram redistribuídos dentro do esquema”, disse Michely Santos.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos veículos, bens de valor e documentos em diversos endereços ligados aos investigados. As medidas também visam garantir o bloqueio de patrimônio para futura reparação dos prejuízos.

No caso do servidor estadual, foram encontrados documentos de veículos de luxo, registros de terrenos e indícios de movimentação de ativos financeiros. Para a polícia, os elementos reforçam a suspeita de lavagem de dinheiro. “Isso demonstra claramente a prática de lavagem de capitais”, destacou a delegada.

A investigação aponta ainda que o esquema causou prejuízo estimado em cerca de meio milhão de reais, com mais de 50 vítimas identificadas até o momento. 

“São muitas vítimas, não tenho a quantidade exata porque nem todas registraram boletim de ocorrência, mas oficialmente são mais de 50. O prejuízo identificado até agora gira em torno de meio milhão de reais, embora a movimentação financeira tenha sido muito maior”, concluiu.

PREFEITURA ORIENTA QUE VÍTIMAS PROCUREM A POLÍCIA

Procurada, à época que o esquema foi denunciado, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Habitacional (Semhab) informou que o golpista citado não era servidor de nenhum órgão da Prefeitura de Maceió, não possuindo qualquer vínculo com o município.

A pasta se solidariza com os maceioenses que foram vítimas do golpe e orienta que os lesados registrem Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, para que as providências cabíveis sejam adotadas na esfera judicial.
A Secretaria de Habitação reforça que não é cobrado qualquer tipo de pagamento para inscrição em programas habitacionais ou para a entrega de chaves. Os imóveis fazem parte de políticas públicas habitacionais e são custeados com recursos do Governo Federal.
Por fim, a Semhab reitera que não compactua com esse tipo de prática e ressalta que, caso seja identificado, no decorrer das investigações, o envolvimento de algum servidor público, este será devidamente responsabilizado, nos termos da lei.

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