Seu coração acelera na Copa? Cientistas querem descobrir isso com dados de relógios inteligentes

Publicado em 17/06/2026, às 20h34
Agência Brasil
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Por Galileu

Um estudo internacional da Universidade de Bielefeld busca medir o impacto dos jogos do Mundial de 2026 na saúde dos torcedores, monitorando indicadores como frequência cardíaca e estresse através de dispositivos inteligentes. A pesquisa, chamada 'Football Fever', visa coletar dados em tempo real para entender as reações fisiológicas dos fãs durante as partidas.

Os participantes autorizam o compartilhamento anônimo de dados coletados por seus smartwatches, com a inclusão de diversas marcas além da Garmin, ampliando a amostra de torcedores. A equipe de pesquisa destaca a importância de incluir fãs de todas as nacionalidades, especialmente aqueles sub-representados na base de dados.

Os pesquisadores esperam quantificar como eventos específicos durante os jogos afetam as respostas fisiológicas dos torcedores, com resultados preliminares previstos ao longo da Copa. Estudos anteriores já indicaram que a experiência ao vivo provoca reações mais intensas, um aspecto que será explorado em maior escala nesta nova pesquisa.

Resumo gerado por IA

Um estudo internacional liderado pela Universidade de Bielefeld, na Alemanha, pretende medir de forma inédita como os jogos do Mundial de 2026 impactam a saúde dos torcedores, monitorando indicadores como frequência cardíaca, estresse, sono e movimentação corporal por meio de smartwatches e outros dispositivos.

Nomeada "Football Fever" ("Febre do Futebol", na tradução livre para o português), a pesquisa está recrutando torcedores de todas as seleções participantes da Copa. A expectativa dos cientistas é reunir uma grande quantidade de dados para compreender melhor como as emoções despertadas pelo futebol se refletem no corpo humano em tempo real.

"Queremos incluir o maior número possível de fãs, independentemente da nação que apoiam e do smartwatch que usam. Mais participantes resultam em dados mais robustos, o que aumenta o poder explicativo do estudo", afirma o professor Christian Deutscher, co-líder do projeto na Faculdade de Psicologia e Ciências do Esporte da Universidade de Bielefeld, em comunicado, publicado nessa terça-feira (16).

Como funciona o monitoramento

Os participantes autorizam o compartilhamento de informações registradas automaticamente por seus relógios inteligentes. Entre os dados coletados estão a frequência cardíaca, os níveis de estresse estimados pelos dispositivos, os padrões de sono e a atividade física.

Segundo a equipe responsável, todas as informações são coletadas de forma anônima e em conformidade com as normas de proteção de dados. O objetivo não é analisar indivíduos específicos, mas identificar padrões gerais de comportamento fisiológico durante partidas de futebol.

Inicialmente, apenas usuários de dispositivos Garmin podiam participar da pesquisa. No entanto, desde o lançamento do estudo, em 28 de maio, outras 12 marcas passaram a ser aceitas: Apple Watch, Google Pixel Watch, Samsung Health, Withings, Fitbit, Oura, Polar, Amazfit, Coros, Whoop, Xiaomi Mi Fitness e Wahoo. Essa ampliação no número de plataformas busca aumentar o alcance da pesquisa e diversificar a amostra de participantes.

Ainda dá tempo de participar

Mesmo com o torneio já em andamento, os pesquisadores afirmam que novos voluntários continuam sendo bem-vindos. Segundo eles, não é necessário acompanhar toda a competição para contribuir.

"Qualquer pessoa que queira assistir a algumas partidas ainda pode participar. Até mesmo jogos individuais nos fornecem dados valiosos", explica a professora Christiane Fuchs, co-líder do projeto e responsável pelo grupo de Ciência de Dados da Faculdade de Administração de Empresas e Economia da universidade.

A equipe destaca que torcedores de todas as nacionalidades podem se inscrever, embora participantes do Leste Europeu, do Sul da Europa e da Turquia estejam atualmente sub-representados na base de dados. Os interessados podem se inscrever neste link para conhecer melhor a iniciativa e participar.

O que os cientistas esperam descobrir

Embora seja amplamente conhecido que eventos esportivos provocam fortes emoções, os pesquisadores querem quantificar esse efeito com precisão. A ideia é observar como diferentes momentos de uma partida — gols, lances perigosos, pênaltis ou derrotas inesperadas — influenciam indicadores físicos dos torcedores.

O projeto está vinculado à área de pesquisa QUAMU, da Universidade de Bielefeld, dedicada ao estudo e à quantificação de incertezas em diferentes contextos. Os resultados preliminares deverão ser divulgados ao longo da Copa, especialmente após os jogos da seleção alemã. A expectativa é que o grande volume de dados permita compreender melhor a relação entre emoção, comportamento e respostas fisiológicas em situações de alta intensidade emocional.

Vale salientar que os pesquisadores não estão partindo do zero. Um estudo anterior conduzido durante a final da Copa da Alemanha de 2025 analisou 229 torcedores do clube DSC Arminia Bielefeld e encontrou evidências claras de que acontecimentos dentro de campo afetam diretamente os sinais vitais.

Os torcedores que assistiram à decisão no estádio registraram, em média, 94 batimentos cardíacos por minuto. Já aqueles que acompanharam a partida pela televisão apresentaram média de 79 batimentos por minuto. As diferenças ficaram ainda mais evidentes nos momentos decisivos do jogo. Após os gols, a frequência cardíaca dos torcedores presentes no estádio chegou a aumentar até 36%.

Os resultados sugerem que a experiência de assistir a uma partida ao vivo pode provocar respostas físicas mais intensas do que acompanhar o mesmo evento pela televisão, uma hipótese que a nova pesquisa pretende explorar em uma escala muito maior durante a Copa do Mundo.

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