Nem toda afta preocupa. Nem toda rouquidão é motivo de alarme. Uma dor de garganta, muitas vezes, desaparece com o tratamento adequado. O problema é quando esses sintomas deixam de ser passageiros e passam a fazer parte da rotina. É justamente essa mudança de comportamento do organismo que pode indicar um câncer de cabeça e pescoço, doença que ainda chega tardiamente ao consultório por ser confundida com alterações consideradas banais.
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A cirurgiã de cabeça e pescoço da Santa Casa de Maceió, Tamires Fraga, explica que a persistência é um dos principais critérios para acender o sinal de alerta. “Se uma afta não cicatriza em até 15 dias, se a rouquidão dura mais de três semanas ou se a dor de garganta persiste mesmo após o tratamento adequado, é importante procurar avaliação médica”, afirma.
Na prática, o corpo costuma dar outros avisos que também acabam sendo negligenciados. Feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade ou dor para engolir, um caroço no pescoço, sangramentos na boca, dor de ouvido sem causa aparente e obstrução nasal em apenas um lado são sintomas que merecem investigação quando permanecem por duas ou três semanas. “Principalmente quando não existe uma explicação clara para eles”, acrescenta a especialista.
Durante muito tempo, o câncer de cabeça e pescoço esteve associado quase exclusivamente a homens fumantes, consumidores frequentes de álcool e em idade mais avançada. Esse cenário, porém, já não representa todos os pacientes que chegam aos serviços especializados.
O aumento dos tumores relacionados ao HPV tem mudado esse perfil. “Hoje vemos um crescimento dos casos em pacientes mais jovens, que muitas vezes nunca fumaram. Isso mostra que não podemos mais tratar essa doença como exclusiva de fumantes ou idosos”, destaca Tamires Fraga.
O papilomavírus humano, conhecido pela sigla HPV, é transmitido principalmente por contato sexual e está relacionado aos cânceres de orofaringe, região que inclui estruturas como as amígdalas e a base da língua. Embora a maior parte das pessoas elimine o vírus naturalmente, em alguns casos a infecção permanece silenciosa durante anos e pode favorecer o surgimento do tumor. Daí a importância da vacinação, do sexo seguro e da atenção aos sinais que o organismo apresenta.
A médica ressalta que descobrir a doença precocemente muda completamente o percurso do tratamento. Além de elevar as chances de cura, o diagnóstico nas fases iniciais permite preservar funções que fazem parte da vida cotidiana, como falar, mastigar, engolir e respirar.
“Quanto menor o tumor no momento do diagnóstico, maior a possibilidade de tratamentos que preservem os órgãos e suas funções. Nos casos mais avançados, muitas vezes são necessárias cirurgias maiores ou tratamentos mais intensos, que podem trazer impactos importantes na fala, na deglutição e até na respiração”, explica.
Por isso, ela reforça que prevenção não se resume a evitar o câncer, mas também a reduzir as consequências que a doença pode provocar. Não fumar, moderar o consumo de bebidas alcoólicas, manter a vacinação contra o HPV em dia, usar protetor solar nas áreas expostas e observar alterações persistentes na boca, garganta e pescoço são medidas capazes de reduzir o risco e favorecer um diagnóstico mais cedo.
O conselho da especialista é simples e, ao mesmo tempo, decisivo. “Conheça o seu corpo e não ignore sintomas persistentes. Muitas vezes não será nada grave. Mas, quando é uma doença mais séria, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença.”
SANTA CASA 175 ANOS – Em setembro, a Santa Casa de Maceió celebra 175 anos de fundação. Reconhecida como um dos maiores complexos hospitalares de Alagoas, a instituição foi recertificada em 2026, com o selo internacional Qmentum Diamante, reconhecimento que atesta a excelência em qualidade assistencial e segurança do paciente.
O complexo reúne unidades como a Santa Casa Farol, a Santa Casa Nossa Senhora da Guia e a Santa Casa Cancer Center, referência no diagnóstico e tratamento oncológico no estado, além de oferecer ambulatórios, pronto atendimento 24 horas, centro de diagnósticos, unidades de terapia intensiva, e cirurgias de alta complexidade.
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