Polícia

SSP detalha sequestro de mulher: crime tem ligação com grupo que trocou tiros com a polícia em pousada

Redação TNH1 | 13/01/21 - 10h41 - Atualizado em 13/01/21 - 12h07
Paulo Victor Malta

A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas afirmou, em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (13), que o resgate de uma vítima de sequestro em Arapiraca e as três mortes de suspeitos que trocaram tiros com a polícia no Trapiche, em Maceió, são casos de ligações com o mesmo grupo criminoso.

As investigações começaram na cidade de Ibimirim, Sertão de Pernambuco, quando a Polícia Civil começou a investigar vídeos de tortura que circulavam nas redes sociais.

Com a abertura da investigação, a polícia pernambucana descobriu que um traficante local tinha uma dívida de R$14 mil com um grupo criminoso. Sem pagar a quantia, o homem sofreu uma tentativa de homicídio em Pernambuco, mas conseguiu fugir. Os criminosos então sequestraram a companheira dele e a levaram para Arapiraca.

De acordo com o delegado Alexandre Barros, da Polícia Civil de Pernambuco, os vídeos de tortura da mulher eram de muita crueldade. 

"(Companheiro da vítima) Ele era o alvo principal desse grupo. Estava na casa (em Pernambuco), chegou a pular o muro e empreender fuga, pelas informações que a gente apurou. Como ele é um rapaz jovem, de corpo atlético, conseguiu ser ligeiro e fugir dos criminosos. Aí eles ficaram incomodados, foram em busca desse devedor e não conseguiram pegá-lo. Como forma de coagir, sequestraram a vítima, que é companheira desse rapaz. Eram torturas feitas em tempo real, gravadas e encaminhadas ao alvo desses criminosos e também em redes sociais. Coisas aterrorizantes, que a gente costuma falar que só vê em televisão", disse Barros.

A mulher foi resgatada com vida, mas muito machucada em um cativeiro, em Arapiraca, Agreste de Alagoas.

"(Operação integrada) Foi essencial porque o início do sequestro foi na parte da manhã no domingo, por volta das 10h, e a vítima foi resgatada na segunda-feira por volta de 17h. Os criminosos já tinham estipulado uma hora a mais apenas, sob pena de esquartejamento da vítima. A gente conseguiu fazer o resgate dela com vida, mas o tempo estava se estourando", revelou Alexandre Barros.

A partir da investigação em Pernambuco, a inteligência da polícia informou que uma pousada no Trapiche da Barra, em Maceió, poderia ser um ponto de apoio do grupo do criminoso. Foi nessa operação, coordenada pela Deic, que três suspeitos entraram em confronto com os policiais na noite da segunda-feira (11) e morreram no Hospital Geral do Estado.

"Depois que a situação foi resolvida em Arapiraca, que o mais importante era o resgate da vítima, as equipes do Tigre e da Deic fizeram uma incursão nessa pousada no Trapiche da Barra para saber o motivo de esse grupo ter alugado esse quarto aqui. A princípio nós não sabíamos o que tinha lá dentro, só que eles tinham alugado o quarto. Quando foi feita a incursão no local, nossos policiais foram recebidos com bala. Obviamente houve confronto, a polícia utilizou da forma legal, necessária e proporcional, sendo três infratores que estavam nessa pousada, nesse quarto, duas mulheres e um homem alvejados. Foram levados ao HGE, porém, não resistiram aos ferimentos e morreram", afirmou o delegado Gustavo Henrique.

Das três pessoas que morreram na troca de tiros no Trapiche, duas eram mulheres e um homem. Os disparos que atingiram um agente da Deic, inclusive, partiram de uma das mulheres. O agente foi baleado na perna e de raspão na cabeça. Segundo o delegado Gustavo Henrique, o policial está em observação, mas sem risco de morte.

"Os dois disparos que atingiram nosso policial foram efetuados por uma das mulheres que entraram em confronto aqui com a polícia. E aí fica aquela velha história, a gente enquanto polícia nunca pode subestimar porque o fogo inimigo pode vir de qualquer lugar", disse o delegado.

O homem morto no confronto em Maceió, identificado na ocasião como Sebastião de Abreu Farias, 46, na verdade se chamava Gilvan. O documento de identidade apreendido era falso.  

"Um dos indivíduos que estava com documento falso com o nome de Sebastião, esse documento era falso, o nome correto dele é Gilvan. Ele é irmão de um criminoso muito perigoso, que nós prendemos em novembro, em Porto Real do Colégio. O irmão dele era foragido da Justiça de Pernambuco. Ele foi, inclusive, resgatado de um presídio nessa fuga e um policial penal acabou morrendo na época. O que só reforça que se trata realmente de um grupo criminoso enraizado em Pernambuco, extremamente articulado e perigoso, mas que também tinha essas ramificações em Alagoas. Operação extremamente importante envolvendo Segurança Pública de Alagoas e Pernambuco para desarticular um grupo extremamente perigoso", informou Gustavo Henrique.

Segundo o delegado Gustavo Henrique, dos três suspeitos que morreram em Maceió, o homem e uma mulher eram de Pernambuco e a outra mulher de Arapiraca. Já os presos na operação que resgatou a vítima de sequestro, um homem é de Pernambuco e o casal natural de Arapiraca. "O que só reforça o vínculo entre o pedaço do grupo que estava aqui em Maceió e outro pedaço em Arapiraca. O que demonstra que o grupo, apesar da raiz em Pernambuco, tinha forte ramificação aqui em Alagoas", concluiu o delegado.

A Polícia Civil de Alagoas acredita que o grupo criminoso foi desarticulado no estado. Mas o delegado de Pernambuco informou que as investigações no Sertão pernambucano devem seguir, já que ainda há informações do tráfico na região. 

Participaram da coletiva o delegado Gustavo Henrique, da Deic, o delegado Alexandre Barros, da Polícia Civil de Pernambuco, o delegado Felipe Caldas, da Delegacia de Homicídios de Arapiraca (DH), Gustavo Xavier, da 7° Delegacia Regional de Polícia de Penedo, e o major Lima Lins, representando o 3º Batalhão. O delegado Guilherme Iustem, da 4ª Delegacia Regional de Polícia de Arapiraca, também participou da operação no Agreste, mas não pôde comparecer à coletiva.