Polícia

Suspeito de matar comerciante alega inocência e atribui culpa a comparsa

João Victor Souza | 15/10/19 - 10h32 - Atualizado em 15/10/19 - 10h32
Arquivo Pessoal

Preso nesta terça-feira, 15, um dos suspeitos de matar o comerciante Valcir Leite Tenório, em agosto deste ano, alegou ser inocente e afirmou que fugiu depois de ter sido ameaçado pelo outro suspeito do crime. Willames França da Silva foi detido na residência de familiares, no início da manhã, em Arapiraca. Já Allan Chrystian da Silva, que de acordo com as investigações teria atacado Valcir junto com ele, segue foragido.

“Me considero inocente. Vou tentar me defender para provar minha inocência. Ele [Valcir] era muito meu amigo. Há vários anos que a gente se conhecia e nos reencontramos faz pouco tempo. Nós voltamos a ter a velha amizade que tínhamos antigamente”, disse Willames em entrevista à Rádio Pajuçara FM Arapiraca, nesta manhã.

O suspeito, que segue preso na Delegacia Regional da cidade, informou que Allan teria sido o responsável por esfaquear o comerciante em uma estrada de Coruripe, e contou que os três ingeriram bebida alcoólica no dia do crime. 

“No dia 19 de agosto, eu estava em casa e por volta de 15h, o Valcir passou por lá e me chamou para beber. Ele disse que tinha chamado o Allan. Logo depois, o Allan chegou na minha residência e a gente foi. O Valcir foi no carro na frente e a gente atrás”, explicou o suspeito.

“O Valcir parou em uma padaria próximo da casa dele, e em seguida, eu e Allan paramos num mercadinho para comprar cerveja. Depois, fomos para a casa dele e bebemos por umas horas. Aí bateu uma vontade de ir na casa de umas meninas na cidade vizinha. Eu disse que não queria ir porque sou casado. Mas o Valcir disse que só confiava ir se eu levasse o carro dele. Aí eu fui”, continuou.

O suspeito também afirmou que foi surpreendido pela suposta atitude de Allan, que durante o caminho, teria puxado uma faca e ferido o comerciante. “Quando estamos perto da cidade, me deparei com o Allan dando uma facada no Valcir. Eu parei o carro, abri a porta e corri para um canavial. Deixei o Allan e ele lá, aí não sei o que aconteceu ou o que deixou de acontecer”.

Willames disse que não presenciou discussão entre os dois e que a sua reação foi correr com medo de ser atingido por Allan. “A minha atitude foi parar o carro e sair correndo, não tinha o que fazer. Tive medo de ser prejudicado e do Allan”.

Ameaça e fuga

O suspeito revelou também que, no dia seguinte ao ataque, Allan esteve em sua casa com mais duas pessoas e o ameaçou. “Ele disse para eu sair da cidade, ou então me mataria ou mataria minha família. Com medo eu preferi sair do Estado, fui para São Paulo, e quando foi agora voltei para me apresentar e tentar me defender”.

Sobre a amizade com Allan, o suspeito afirmou que apenas realizou serviços profissionais com ele e que o conhecia há pouco tempo. “A gente tinha uma relação mais ou menos, fazíamos serviços juntos, de segurança eletrônica. Ele me ajudava em uma coisa ou outra. Ele tinha a profissão dele de mototaxista”.

O inquérito, confeccionado pelo delegado Gustavo Pires, já foi encaminhado para a Justiça e há um mandado de prisão em aberto contra Allan.

O caso

De acordo com a polícia, Valcir Leite Tenório, 37 anos, foi atacado por dois homens em uma estrada e levado para um canavial num povoado, em Coruripe, no dia 19 de agosto deste ano. Ele foi esfaqueado e queimado. Após conseguir fugir, a vítima foi socorrida e passou dois dias internada no HGE, em Maceió, porém não resistiu e faleceu.