Biotecnologia, novos ingredientes e formulações cada vez mais sofisticadas ajudam a explicar por que a Coreia do Sul continua influenciando o mercado mundial de skincare
A beleza coreana ficou conhecida no mundo pelas rotinas elaboradas de skincare, pelas embalagens criativas e pela capacidade de transformar novidades em desejo de consumo. Hoje, no entanto, seu principal diferencial está menos na estética e mais na ciência. Por trás dos produtos que chegam às prateleiras, existe uma indústria que investe continuamente em pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicada aos cuidados com a pele.
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Os números ajudam a dimensionar esse avanço. Em 2025, a Coreia do Sul exportou US$ 11,4 bilhões em cosméticos, resultado 12,3% superior ao registrado no ano anterior. Segundo o Ministério de Segurança de Alimentos e Medicamentos do país, o desempenho colocou a indústria sul-coreana na segunda posição entre os maiores exportadores mundiais de cosméticos, atrás apenas da França.
Muito do que começa a ganhar espaço no mercado brasileiro já faz parte da rotina da indústria sul-coreana há alguns anos. Ingredientes como PDRN (polidesoxirribonucleotídeo, um ativo biotecnológico extraído do DNA do salmão), peptídeos biomiméticos e ativos fermentados são alguns exemplos dessa nova geração do skincare, que combina biotecnologia, pesquisa científica e formulações cada vez mais sofisticadas.
Também ganham destaque os chamados spicules, microestruturas presentes em determinadas formulações desenvolvidas para favorecer a aplicação e a distribuição dos ingredientes na pele. A tecnologia chamou a atenção por aproximar o skincare de soluções inspiradas em procedimentos dermatológicos, ainda que cosméticos e tratamentos tenham funções distintas.
“A indústria coreana não lança um ingrediente de forma isolada. Existe um trabalho para entender como ele se comporta ao lado de outros ativos, em diferentes texturas e tipos de produto. É essa capacidade de transformar pesquisa em inovação acessível que mantém a Coreia do Sul na dianteira”, afirma Jimmy Lee, diretor da KS Cosméticos, distribuidora brasileira especializada em produtos de K-Beauty.

Essa evolução também acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. A busca por resultados imediatos vem dando lugar ao cuidado contínuo da pele, com maior atenção à hidratação, ao fortalecimento da barreira cutânea e à composição dos produtos. Cada vez mais, o consumidor quer entender o que está usando, para que serve determinado ingrediente e como ele pode ser incorporado à sua rotina.
Segundo Jimmy Lee, parte dessa velocidade está ligada à estrutura do próprio mercado sul-coreano, que aproxima laboratórios, fabricantes e marcas em um ecossistema capaz de acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias. “Quando uma tecnologia começa a aparecer com força em outros mercados, muitas vezes ela já vinha sendo trabalhada na Coreia há algum tempo. Existe uma capacidade muito grande de transformar conhecimento científico em produtos seguros, eficazes e acessíveis ao consumidor”, explica.
Se desenvolver uma nova tecnologia exige pesquisa, colocá-la no mercado também depende de outro fator: cumprir as exigências regulatórias de cada país. No Brasil, cosméticos importados precisam seguir as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de serem comercializados.
“Nem sempre o produto que viraliza no exterior pode ser comercializado imediatamente no Brasil. Existe todo um trabalho de adequação regulatória e acompanhamento técnico para que ele chegue ao consumidor brasileiro dentro dos padrões exigidos pela legislação”, acrescenta Jimmy Lee.
Por Clarissa Perillo
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