TikToker Marcela Montellato revela doença que faz até tomar banho virar um desafio; entenda

Publicado em 02/10/2026, às 18h07
Foto: Reprodução/Rede Sociais
Foto: Reprodução/Rede Sociais

Por O Globo

Marcela Montellato, influenciadora digital, compartilhou sua experiência com a neurite vestibular, uma condição que afeta o equilíbrio e torna tarefas cotidianas, como levantar da cama, extremamente desafiadoras.

A neurite vestibular, frequentemente confundida com labirintite, provoca vertigem intensa e não está associada à perda auditiva significativa, exigindo avaliação médica para diagnóstico adequado.

Embora a recuperação seja gradual, muitos pacientes podem continuar a sentir sintomas residuais, e a reabilitação vestibular pode ser necessária para ajudar na adaptação do sistema nervoso e na recuperação do equilíbrio.

Resumo gerado por IA

Tomar banho, levantar da cama e caminhar são ações tão incorporadas à rotina que raramente exigem atenção. Para a TikToker Marcela Montellato, porém, atividades simples passaram a exigir esforço depois de uma crise intensa de vertigem. A influenciadora revelou ter sido diagnosticada com neurite vestibular, uma inflamação que afeta o nervo responsável por transmitir ao cérebro informações relacionadas ao equilíbrio.

A intensidade do quadro pode explicar por que uma alteração aparentemente localizada é capaz de comprometer até movimentos básicos. O sistema vestibular participa da percepção da posição e dos deslocamentos do corpo. Quando os sinais enviados por ele deixam de chegar de maneira adequada ao cérebro, surge uma espécie de conflito entre as informações usadas para manter a estabilidade.

"Quando o nervo vestibular é afetado, as informações que chegam ao cérebro ficam desequilibradas. O paciente pode apresentar uma vertigem muito intensa, náuseas, vômitos e dificuldade para permanecer em pé ou caminhar. Por isso, durante uma crise importante, tarefas aparentemente simples, como levantar da cama ou tomar banho, podem se tornar realmente difíceis", explica o neurologista e doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Frederico M. Haidar Jorge.

Neurite vestibular é a mesma coisa que labirintite?

Apesar de os dois termos serem frequentemente usados como sinônimos no dia a dia, eles não significam a mesma coisa. "Labirintite" acabou se tornando uma expressão popular para diferentes episódios de tontura, mas a neurite vestibular é uma condição específica, relacionada ao nervo vestibular.

O quadro costuma começar de forma repentina e pode provocar vertigem intensa por horas ou até dias. Uma diferença importante em relação a algumas doenças que atingem o ouvido interno é que a perda auditiva significativa não costuma fazer parte dos sintomas da neurite vestibular.

"Nem toda tontura tem a mesma origem. Uma vertigem súbita e intensa precisa ser avaliada porque diferentes condições podem provocar sintomas semelhantes, inclusive doenças neurológicas. É importante evitar o hábito de chamar qualquer episódio de tontura de labirintite sem uma investigação adequada", alerta o neurologista.

A doença pode deixar sequelas?

Na maioria dos casos, a evolução é de melhora gradual. Isso não significa, no entanto, que a pessoa volte imediatamente ao estado anterior à crise. Mesmo depois de a fase mais intensa passar, podem permanecer por algum tempo sintomas como instabilidade, insegurança ao caminhar ou desconforto ao fazer movimentos rápidos com a cabeça.

O organismo tem mecanismos para se adaptar à alteração. Esse processo, conhecido como compensação vestibular, permite que o cérebro reorganize a maneira como utiliza as informações relacionadas à posição e aos movimentos do corpo.

"O cérebro possui uma capacidade chamada compensação vestibular. Ele começa a se adaptar à alteração e reorganiza a maneira como utiliza as informações responsáveis pelo equilíbrio. Algumas pessoas apresentam uma recuperação mais rápida, enquanto outras podem continuar com sintomas residuais durante semanas ou até meses", afirma Frederico.

Quando a instabilidade persiste, a reabilitação vestibular pode ser indicada. A abordagem utiliza exercícios específicos para estimular a adaptação do sistema nervoso e trabalhar aspectos como marcha, estabilidade do olhar e controle postural.

Quando uma crise exige avaliação médica?

A experiência relatada por Marcela também chama atenção para um ponto importante: uma vertigem intensa e de início súbito não deve ser interpretada apenas com base em informações encontradas nas redes sociais.

A recomendação é procurar atendimento, sobretudo quando o episódio vem acompanhado de sinais como fraqueza, alteração na fala, visão dupla, dificuldade significativa de coordenação ou uma dor de cabeça diferente do padrão habitual. Esses sintomas podem estar associados a outras causas que precisam ser investigadas rapidamente.

"Existem causas benignas de vertigem, mas também existem situações neurológicas que precisam ser reconhecidas rapidamente. O contexto, o exame clínico e os sintomas associados ajudam a fazer essa diferenciação. Diante de uma crise nova e intensa, principalmente quando existem outros sinais neurológicos, o correto é procurar atendimento", orienta o neurologista.

Embora a fase aguda possa ser bastante incapacitante, a tendência é de melhora progressiva. O tempo necessário para a recuperação varia de pessoa para pessoa, e parte do processo depende justamente da adaptação do cérebro às novas informações disponíveis.

"É importante entender que a melhora nem sempre acontece de uma vez. O paciente pode sair da fase aguda e ainda sentir certa instabilidade durante algum tempo. A evolução precisa ser acompanhada e, quando necessário, podemos utilizar a reabilitação para favorecer a recuperação funcional", finaliza Frederico.

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