Tomar remédio com café, leite ou suco pode atrapalhar o efeito? Veja os riscos

Alguns líquidos podem interferir na absorção ou na ação de determinados medicamentos, comprometendo a eficácia do tratamento ou aumentando o risco de efeitos adversos

Publicado em 13/10/2026, às 15h45
A água é, em geral, a opção mais segura para tomar medicamentos (Imagem: PerfectWave | Shutterstock)
A água é, em geral, a opção mais segura para tomar medicamentos (Imagem: PerfectWave | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Para muitas pessoas, o uso de medicamentos faz parte da rotina, seja para tratar doenças, controlar condições crônicas ou aliviar sintomas. No entanto, um cuidado que muitas vezes passa despercebido é a escolha da bebida utilizada para engolir os comprimidos. Embora pareça um detalhe simples, alguns líquidos podem interferir na absorção ou na ação, comprometendo a eficácia do tratamento ou aumentando o risco de efeitos adversos.

De acordo com Maria Isabel Soares, professora do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, a recomendação mais segura é utilizar água. “A água é, em geral, a opção mais indicada porque não contém componentes que possam interferir na absorção ou na ação do medicamento. No entanto, existem medicamentos que possuem orientações específicas e, nesses casos, é importante seguir a prescrição e as informações da bula”, explica.

Café pode interferir com medicamentos?

O café contém cafeína e outras substâncias que podem interagir com determinados medicamentos. Além disso, alguns remédios podem potencializar ou modificar os efeitos da própria cafeína no organismo. “É o caso da levotiroxina, utilizada no tratamento do hipotireoidismo, cuja absorção pode ser prejudicada pelo café quando consumido muito próximo ao medicamento.”

O mesmo cuidado vale para suplementos de ferro, como o sulfato ferroso, já que compostos presentes no café podem reduzir a absorção do mineral pelo organismo quando consumido próximo à sua administração.

“Além disso, medicamentos que já contêm cafeína, como algumas formulações para dor de cabeça e enxaqueca, podem somar seus efeitos aos da bebida e favorecer sintomas como insônia, tremores, nervosismo e palpitações”, esclarece a especialista.

Fotografia de uma mulher de cabelos longos e escuros, com suéter branco de gola alta, sentada em um sofá claro. Ela olha com expressão séria para uma cartela de comprimidos que segura em uma das mãos e, na outra, tem uma caneca branca. Ao fundo há uma janela com persianas de madeira e uma estante com plantas.
Café, leite e sucos podem interagir com determinados remédios (Imagem: Kmpzzz | Shutterstock)

Cuidado com o consumo do leite junto aos medicamentos

O leite merece atenção, porque contém cálcio e outros nutrientes capazes de interferir na absorção de determinados medicamentos. Em alguns casos, isso pode reduzir a quantidade da substância que chega à circulação e, consequentemente, comprometer o efeito esperado.

“Um dos exemplos mais conhecidos são alguns antibióticos, como as tetraciclinas, a exemplo da doxiciclina, e as fluoroquinolonas, como o ciprofloxacino. O cálcio pode formar complexos com esses medicamentos no intestino, diminuindo sua absorção”, diz Maria Isabel Soares.

Suco também pode ser um problema?

Alguns sucos podem interferir na ação de determinados medicamentos. Um dos exemplos mais conhecidos é o suco de toranja, também chamado de grapefruit, que pode alterar o metabolismo de certas substâncias, aumentando ou reduzindo sua concentração no organismo. Entre os exemplos, estão alguns remédios utilizados para reduzir o colesterol, controlar a pressão arterial e tratar algumas arritmias.

Outros sucos, como o de laranja e alguns cítricos, também podem interferir com medicamentos específicos, modificando sua absorção e, em determinadas situações, comprometendo o efeito esperado. Essas interações podem ser clinicamente relevantes, dependendo do remédio e da bebida consumida.

Qual é a melhor bebida para tomar remédio?

Na ausência de uma orientação diferente do médico ou farmacêutico, a água costuma ser a escolha mais segura. Em geral, é recomendada a tomada de medicamentos com um copo cheio de água, pois outros líquidos podem interagir com o medicamento, diminuindo ou potencializando o seu efeito.

Também é importante não triturar, abrir ou dissolver comprimidos e cápsulas por conta própria, pois essa prática pode comprometer as características da formulação, principalmente nos casos de medicamentos de liberação modificada ou com revestimentos especiais. Esses recursos podem proteger o medicamento da acidez do estômago, mascarar sabores desagradáveis ou controlar a liberação da substância ativa no organismo, dependendo da formulação.

Outro cuidado é respeitar os horários indicados. Alguns medicamentos devem ser tomados em jejum, enquanto outros precisam ser administrados junto às refeições para melhorar a tolerância ou a absorção.

“Uma atitude simples que ajuda a evitar problemas é informar ao profissional de saúde todos os medicamentos utilizados e perguntar especificamente como cada um deve ser tomado. Isso inclui medicamentos de uso contínuo, produtos vendidos sem receita, vitaminas e suplementos”, destaca Maria Isabel Soares.

Por Camila Crepaldi

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