Médico explica os sinais que indicam a proximidade do nascimento e orienta sobre os cuidados com a gestante e o bebê enquanto a ajuda especializada não chega
Entrar em trabalho de parto longe de um hospital pode transformar um momento esperado em uma situação que exige calma e atenção. Na novela “Por Você”, da TV Globo, esse cenário ganha destaque quando Bela, personagem interpretada por Sheron Menezzes e médica obstetra na trama, ajuda uma mulher a dar à luz dentro de um supermercado. Embora a cena seja fictícia, a situação levanta uma dúvida importante: o que fazer quando o bebê começa a nascer antes da chegada ao hospital?
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Em primeiro lugar, é importante reconhecer se a gestante realmente entrou em trabalho de parto. “Na maioria das vezes a evolução do trabalho de parto se inicia perto das 40 semanas de gestação, em torno de 9 meses, com a eliminação gradual do ‘tampão’ vaginal. Pode ocorrer também a eliminação de líquido em certo volume, com a ruptura da bolsa d’água e as contrações uterinas dolorosas”, explica o Dr. Paulo Marinho, obstetra da Casa de Saúde São José.
Estes sinais claros indicam que o trabalho de parto vai se iniciar. No entanto, em uma minoria dos casos, o trabalho de parto pode evoluir de forma silenciosa, fazendo com que a gestante seja surpreendida quando ele já estiver avançado, sem a concretização prévia dos sintomas acima – como na cena da telenovela “Por Você”.
Segundo o obstetra, o primeiro passo sempre deve ser a solicitação da assistência médica. Caso não haja nenhum médico no ambiente ou a gestante esteja muito distante do hospital, o segundo passo deve ser a remoção, de forma segura, para um local calmo e reservado até o suporte médico chegar.
“Se for aguardar, a gestante deve ficar em local seguro para que seja preservada sua intimidade e se sinta acolhida e protegida. Em situações de emergência, o apoio emocional e a transmissão de confiança são os pontos fundamentais”, completa o Dr. Paulo Marinho. Massagens, trabalho de respiração e outras técnicas podem ajudar, mas o ponto mais importante é o suporte emocional, não o físico.

Caso o trabalho de parto já esteja muito avançado e o bebê comece a nascer antes da chegada do socorro, alguns cuidados podem ajudar a proteger a gestante e o recém-nascido. O primeiro passo é acomodar a parturiente em um local seguro, limpo e aquecido, mantendo-a o mais confortável possível enquanto a assistência médica não chega.
Segundo o Dr. Paulo Marinho, o ideal é encontrar um ambiente com temperatura em torno de 26 ºC para evitar choques térmicos e promover mais segurança e conforto para o recém-nascido. Por isso, também é fundamental colocar o bebê em contato pele a pele com a mãe e cobrir ambos com cobertores, panos, tecidos ou toalhas para evitar a perda de temperatura e manter.
Quanto aos puxos (momento em que a gestante faz força para parir a criança), o médico aponta que não é preciso dar nenhuma orientação. Afinal, ninguém vai saber a melhor hora de fazer força do que a própria gestante. “Ela vai entender essa situação de forma espontânea. Se tentar orientar, talvez possa atrapalhar o processo espontâneo do parto”, completa o especialista.
Se o parto ocorrer no chão, é ideal forrar a superfície com tecidos e panos limpos, para proteger a criança e a gestante, além de usar toalhas limpas para secar, enrolar e aquecer a criança após o parto. O uso de luvas limpas também é indispensável, já que garante a proteção tanto da mãe, do bebê e da pessoa que presta assistência.
Após o nascimento, é importante observar se a criança está chorando e respirando corretamente, além de conferir a coloração do bebê. Inicialmente, o recém-nascido apresenta uma coloração mais azulada, principalmente nas extremidades, que podem aparentar estar levemente arroxeadas. Porém, o normal é que, conforme o bebê for respirando, chorando e o oxigênio for se elevando no sangue dele, a pele vá ganhando uma coloração mais rosada.
“Por fim, não é necessário cortar o cordão umbilical. Isso pode ser feito com mais segurança e precisão pela assistência médica assim que chegar. Algumas mulheres e até mesmo o bebê podem evoluir para hemorragia ou outras complicações caso o procedimento não seja bem feito. Logo, o apoio de uma equipe treinada e equipada para assistência é de muita importância para a segurança de ambos”, orienta o obstetra da Casa de Saúde São José.
Por Camila Parreira
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