Nutricionista explica como conciliar refeições, exercício e descanso para evitar desconfortos e manter o desempenho
Para quem passa o dia entre trabalho, estudos e outros compromissos, o período noturno muitas vezes é o único disponível para praticar exercícios físicos. Nesse cenário, uma dúvida pode surgir: o que comer nas refeições que precedem e que sucedem a sessão de treino quando faltam poucas horas para dormir?
LEIA TAMBÉM
A alimentação exerce papel importante tanto no desempenho durante o exercício quanto na recuperação do organismo. À noite, porém, a proximidade com o horário de dormir também deve ser considerada, principalmente para evitar refeições que provoquem desconforto gastrointestinal ou interfiram na qualidade do sono.
Segundo Rodrigo dos Reis Fernandes, nutricionista e coordenador da Unopar, treinar à noite não significa que seja necessário deixar de comer após o exercício. “O organismo continua precisando de nutrientes para se recuperar. O mais importante é observar o horário do treino, a intensidade e duração da atividade, o que foi consumido ao longo do dia e quanto tempo haverá entre a refeição e o momento de dormir”, explica.
A seguir, confira 6 cuidados com a alimentação para quem costuma treinar à noite!
Passar toda a tarde sem se alimentar e tentar compensar apenas depois do exercício pode prejudicar a disposição durante o treino, uma vez que as calorias que serão usadas no exercício são aquelas que foram consumidas entre quatro e seis horas antes. Para quem treina à noite, a organização começa bem antes de chegar à academia.
O intervalo e o volume da refeição pré-treino dependem da rotina de cada pessoa. Quando há pouco tempo entre a alimentação e o exercício, preparações mais leves, de fácil digestão e que sejam predominantemente fontes de carboidratos tendem a ser mais confortáveis. Já quem consegue fazer uma refeição com maior antecedência pode ter outras possibilidades de combinação.
O receio de consumir carboidratos no período noturno ainda faz com que algumas pessoas evitem arroz, pães, massas e outros alimentos da refeição após o treino. No entanto, o horário, isoladamente, não transforma o nutriente em responsável pelo ganho de peso.
“Para quem pratica exercício, o carboidrato participa da reposição das reservas de energia utilizadas durante a atividade. A quantidade e a escolha dos alimentos precisam estar de acordo com as necessidades individuais e com a alimentação do restante do dia, e não apenas com o fato de ser noite”, explica o nutricionista.
Terminar o exercício com muita fome pode levar a refeições volumosas e à busca por alimentos hipercalóricos justamente perto do horário de dormir. Além da quantidade, preparações muito gordurosas, frituras, doces, guloseimas e alimentos que exigem uma digestão mais demorada podem aumentar a sensação de estômago pesado e o desconforto na hora de se deitar.
Uma refeição pós-treino pode combinar fontes de proteína e carboidrato em uma quantidade adequada à rotina e aos objetivos individuais, além de as quantidades e qualidades desses nutrientes variarem em relação ao intervalo entre o final do treino e a hora de dormir. Quem costuma jantar antes do exercício também pode ter necessidades diferentes de quem treina antes da principal refeição da noite.

Frango, ovos, carnes, peixes, leite e derivados, além de opções vegetais, podem fazer parte da alimentação de quem se exercita à noite. A proteína fornece aminoácidos envolvidos na recuperação e manutenção muscular, mas concentrar grandes quantidades apenas no pós-treino não é necessário, ainda mais se for perto do horário de dormir; o excesso de proteína pode prejudicar o sono.
Mais do que tentar consumir toda a proteína diária depois da academia, a estratégia deve considerar sua distribuição ao longo das refeições. “O pós-treino faz parte de um conjunto. O resultado não depende de um único alimento consumido imediatamente após o exercício, mas da adequação da alimentação ao longo do dia”, destaca Rodrigo dos Reis Fernandes.
Café, energéticos e suplementos pré-treino com cafeína podem ajudar algumas pessoas a se sentirem mais dispostas para o exercício, mas o efeito estimulante pode continuar mesmo depois que a atividade termina e, dependendo da proximidade com a sessão de exercício em que se consome, o efeito pode começar apenas no meio ou no final do treino.
Para quem treina próximo ao horário de dormir, vale observar se o consumo está associado à dificuldade para pegar no sono ou a um descanso mais agitado. A sensibilidade à cafeína varia entre as pessoas, por isso o horário e a quantidade precisam ser considerados individualmente.
Planejar a alimentação é importante, mas permanecer acordado apenas para cumprir determinado horário de refeição ou transformar o pós-treino em um ritual complexo pode acabar prejudicando outro elemento fundamental para quem pratica atividade física: o descanso.
“O sono participa de diversos processos de recuperação do organismo e estimula a produção de substâncias importantes para tal finalidade. Por isso, alimentação, exercício e descanso devem ser pensados em conjunto. Se a rotina noturna está dificultando o sono de forma recorrente, é importante rever horários e estratégias em vez de olhar apenas para o que está sendo colocado no prato”, finaliza o professor.
Por Priscila Dezidério
LEIA MAIS
+Lidas