Pesquisadores descobriram uma nova espécie de tubarão, chamada tubarão-andante de Dudgeon, que pode andar fora d'água utilizando suas barbatanas peitorais, durante um mergulho em Papua Nova Guiné. A descoberta, publicada na revista Zenodo, destaca a importância da biodiversidade marinha e os riscos que esses animais enfrentam em seu habitat.
O tubarão, que mede cerca de um metro, foi nomeado em homenagem à pesquisadora Christine Dudgeon, que liderou a equipe de descoberta. A nova espécie é a décima do gênero Hemiscyllium encontrada na região, onde cinco estão ameaçadas de extinção devido a fatores como pesca e mudanças climáticas.
Os cientistas planejam realizar uma nova expedição em outubro para coletar mais dados sobre o status de conservação do tubarão-andante de Dudgeon, com o objetivo de auxiliar na classificação da espécie na Lista Vermelha da UICN. A pesquisa também revelou que as distribuições de tubarões na Papua Nova Guiné são mais sobrepostas do que se pensava anteriormente.
Durante um mergulho no sudeste de Papua Nova Guiné, pesquisadores identificaram uma nova espécie de tubarão capaz de usar suas barbatanas que saem da região peitoral para andar com parte do corpo fora d'água. O animal noturno, batizado tubarão-andante de Dudgeon (Hemiscyllium dudgeonae), foi descrito nesta terça-feira (16) em artigo publicado na revista científica Zenodo.
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O nome do tubarão homenageia a principal responsável pela descoberta, Christine Dudgeon, da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália. "Novas espécies de tubarão não surgem com frequência, e esta é certamente a primeira a receber o meu nome", disse a pesquisadora, que capturou o exemplar de um metro com as mãos.
Na ocasião, uma equipe da universidade trabalhava na Baía de Milne e em águas rasas próximas para avaliar os riscos enfrentados e o número remanescente de tubarões-epaulette (Hemiscyillum ocellatum), uma espécie ameaçada de extinção.

O primeiro encontro com o tubarão
Após Dudgeon avistar a nova espécie de tubarão e trazê-la até o barco onde estava a equipe, sua aluna de doutorado, Jess Blakeway, foi a primeira a averiguar a situação. "Logo de cara, percebi que o padrão de cores era diferente de qualquer outra espécie com a qual eu já havia trabalhado", lembra Blakeway, que logo reparou nos traços brancos ao longo do corpo marrom da criatura.
Para terem tempo de medir o tubarão-andante e coletar amostras sanguíneas e de tecido, os pesquisadores colocaram o animal em um recipiente com água do mar fresca. Nas duas noites seguintes, eles encontraram outros 11 indivíduos da mesma espécie.
"Só foi através da análise genética das amostras, realizada na Austrália, que pudemos confirmar uma nova espécie", conta Blakeway. "É emocionante porque esta é a primeira nova espécie descrita para o gênero desde 2013".
O tubarão-andante de Dudgeon é chamado de kadedekedewa no dialeto local dessa região da Papua Nova Guiné, o que significa "tubarão-cão" ou "tubarão preguiçoso". O apelido faz alusão à marcha lenta e quadrúpede desse ser vivo, que corre riscos variados em seu habitat, como sua área de vida restrita, a atividade pesqueira e as mudanças climáticas.
A descoberta mudou a compreensão dos cientistas sobre onde os tubarões-andadores podem ser encontrados. "Anteriormente, acreditava-se que cada espécie possuía barreiras de habitat distintas, como rios ou águas profundas. Agora sabemos que as distribuições no leste da Papua-Nova Guiné se sobrepõem, embora as espécies não ocorram simultaneamente", explica a estudante.
Blakeway lembra que a H. dudgeonae é a décima espécie de seu gênero já encontrada na Papua-Nova Guiné. Cinco dessas espécies estão ameaçadas de extinção sob o critério "b" (de distribuição geográfica restrita) da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Os cientistas irão coletar mais dados sobre o status de conservação do tubarão-andante de Dudgeon na próxima viagem de pesquisa, marcada para outubro. Assim, eles esperam ajudar a Lista Vermelha de Espécies Ameaças da UICN a classificar a espécie.
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