Vídeo mostra sargento da PM carregando esposa capitã inconsciente para hospital

Publicado em 21/07/2026, às 15h00
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por O Globo

Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, carregando sua esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, desacordada para um hospital, onde foi constatada sua morte, com sinais de violência pelo corpo. Eduardo foi preso em flagrante e a Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso, que levanta questões sobre um possível relacionamento abusivo.

Eduardo relatou que o casal havia consumido bebidas e drogas antes do incidente, e que Michele teria caído da escada, mas a mãe da vítima afirmou que ela vivia um relacionamento abusivo, caracterizado por controle e manipulação. A autópsia indicou que Michele pode ter morrido entre quatro a seis horas antes de chegar ao hospital, com lesões que sugerem agressão.

A Polícia Militar conduziu Eduardo à delegacia para esclarecimentos, e durante a espera no hospital, ele foi flagrado descartando comprimidos semelhantes a ecstasy. O caso está em investigação, com a coleta de evidências, incluindo a apreensão de um cabo de madeira que pode ter sido usado na agressão e a análise de substâncias encontradas.

Resumo gerado por IA

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o sargento da Polícia Militar de Minas Gerais Eduardo Abner Pereira de Oliveira carrega nos ombros a mulher, a capitã da corporação Michele Leão Azevedo, para um hospital de Belo Horizonte. O vídeo registra o agente com a mulher nos braços no prédio em que os dois viviam, por volta de 21h15 desta segunda-feira. A equipe médica estimou que Michele estivesse morta havia até seis horas, e Eduardo foi preso em flagrante.

O vídeo foi obtido pela rádio Itatiaia. Nas imagens, Eduardo sai do elevador já com Michele sobre um dos ombros. De moletom e capuz, a mulher está desacordada e seus braços balançam conforme o marido anda. Ele abre a porta para a garagem e acelera o passo até o carro. Passa alguns instantes procurando algo nos bolsos da bermuda e no chão do estacionamento antes de partir com o veículo. No caminho até o portão, a porta do carona se abre. Eduardo a fecha e sai do prédio.

A Polícia Civil do estado investigas as circunstâncias da morte de Michele, que tinha sinais de violência pelo corpo quando deu entrada no hospital.

Em depoimento à Polícia Civil, Oliveira afirmou que realizaram uma confraternização em casa, onde consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo ele, após o fim da festa, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Já a mãe de Michele disse à polícia que a filha vivia um relacionamento abusivo. Enquanto aguardava atendimento no hospital, Eduardo foi flagrado descartando comprimidos com características semelhantes às de ecstasy no banheiro da unidade.

Conforme o boletim de ocorrência, Michele deu entrada no hospital por volta das 21h35 já sem sinais vitais. O quadro clínico indicava assistolia, compatível com uma parada cardiorrespiratória ocorrida havia um tempo considerável.

A equipe médica constatou diversas lesões pelo corpo da capitã, entre elas traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte extenso na região frontal da cabeça. A estimativa é de que a morte tenha ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.

Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada e conduziu o sargento à delegacia para prestar esclarecimentos. Em depoimento, Eduardo afirmou que, por volta do meio-dia, Michele caiu da escada, batendo a cabeça e sofrendo outros ferimentos.

Segundo ele, prestou os primeiros socorros, deu banho na esposa, estancou o sangramento e a colocou para descansar. O militar disse ainda que Michele não quis procurar atendimento médico porque estaria constrangida pelo consumo de drogas.

Ainda conforme seu relato, os dois dormiram durante a tarde. Ao acordar, por volta das 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos e decidiu levá-la ao hospital.

Descarte de ecstasy

Enquanto aguardava atendimento no Hospital Odilon Behrens, Eduardo foi visto por um oficial descartando uma pequena caixa metálica contendo comprimidos semelhantes a ecstasy na lixeira do banheiro da unidade.

O sargento confirmou que havia jogado fora a substância. Os comprimidos foram apreendidos e serão submetidos à perícia.

Procurada, a defesa do sargento informou que é "imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado". Ainda ressaltou que o caso está em fase inicial e que "todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes".

"A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento", diz a nota.

Relacionamento abusivo

À polícia, a mãe de Michele afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por controle psicológico, manipulação emocional, humilhações e comportamento obsessivo por parte do marido. Ela relatou ainda que o casal passava por sucessivas separações e reconciliações.

Segundo o depoimento, as duas tinham um encontro marcado para a manhã de segunda-feira, mas Michele ligou informando apenas que não poderia comparecer. Ao longo do dia, a mãe enviou diversas mensagens, sem obter resposta.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, a mãe disse que só passou a suspeitar do uso de drogas pela filha depois do início do relacionamento com Eduardo. Ela acrescentou ter sido informada pela outra filha de que Michele considerava o marido uma pessoa narcisista, tentava encerrar a relação e que, em uma discussão anterior, ele teria chegado a empunhar uma faca.

Perícia

O caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Durante a perícia no apartamento do casal, os investigadores apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, que pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também foram recolhidas roupas de cama que estavam lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar.

O veículo utilizado para levar Michele ao hospital foi periciado e removido. O celular do sargento e os comprimidos apreendidos na unidade de saúde também foram encaminhados para análise.

O corpo da capitã foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde será submetido a exame de necropsia.

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