Cerca de 200 turistas ficaram ilhados no Morro Dois Irmãos durante uma operação policial que resultou em tiroteio, gerando momentos de tensão enquanto os visitantes aguardavam a descida em segurança.
O tiroteio ocorreu durante o amanhecer, um horário popular para a trilha, e foi acompanhado por guias que orientaram os turistas a permanecerem em locais seguros até que a situação fosse controlada.
As autoridades locais e guias turísticos reforçaram a importância de seguir protocolos de segurança em áreas de risco, e a descida só foi liberada após alinhamento com as forças de segurança, sem registros de feridos na comunidade.
Uma das cerca de 200 turistas que ficaram ilhados no alto do Morro Dois Irmãos, no Vidigal, na Zona Sul do Rio, gravou o som do tiroteio e rasantes de um helicóptero durante operação da polícia do Rio.
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O tiroteio começou enquanto os trilheiros acompanhavam o nascer do sol — um dos horários mais procurados para a trilha. Os momentos de tensão foram registrados pela veterinária Juliana Ribeiro na manhã desta segunda-feira (20).
"Estamos presos aqui em cima. Para 'melhorar', tiros!", diz a turista, que narra os tiros: "É muito!"
Guias orientaram os visitantes a permanecer sentados ou abaixados e em locais protegidos até que houvesse segurança para a descida.
A turista portuguesa Matilda Oliveira, que visita o Brasil, descreveu o momento de tensão no topo do morro.
“Tínhamos esperado o nascer do sol e, de repente, os guias pediram para sentarmos e começamos a ouvir os tiros. Eles fizeram o trabalho deles. É sempre assustador, mas estava controlado dentro do possível. Passamos pela polícia no caminho, e a situação já estava sob controle. Eu repetiria a experiência. Não deixo de recomendar a trilha, a comunidade ou o Brasil”, afirmou.
Sua irmã, Rita Oliveira, contou que o passeio havia sido contratado com antecedência e que o grupo foi informado sobre a operação ainda no alto.
“Viemos de Portugal já com os guias pagos. Lá em cima, as pessoas ficaram apreensivas quando soubemos da operação. Depois, ficaram mais tranquilas. Conseguimos ver o nascer do sol. Não sei quantos turistas havia, mas estava cheio”, disse.
Segundo guias locais, cerca de 200 pessoas estavam no Morro Dois Irmãos no momento do confronto. A descida só foi liberada após alinhamento com as forças de segurança que atuavam no Vidigal.
A engenheira civil paulista Sthefanny Andrade, de 27 anos, que fez a trilha pela primeira vez, classificou a experiência como “assustadora”.
“A trilha é muito conhecida e tranquila de subir. Fomos para ver o amanhecer, mas, quando nos preparávamos para descer, começamos a ouvir tiros e helicópteros. Um guia avisou que havia uma operação e pediu para ninguém descer. Mandou todo mundo ficar sentado. Mesmo parecendo longe, o barulho dava a impressão de estar muito perto”, contou.
Segundo ela, o clima entre os turistas era de nervosismo.
“As pessoas ficaram desesperadas. Eu fiquei muito nervosa, principalmente porque os estrangeiros não entendiam o que estava acontecendo. Era muito tiro e não sabíamos se era perto ou longe. Apesar disso, eu voltaria ao Rio. Infelizmente, é algo que pode acontecer, é uma experiência que a gente leva.”
Protocolo de guias
Renan Monteiro, Ceo do Na Favela Turismo, responsável por parte dos turistas, explicou como funciona o protocolo em situações de risco.
“Nosso primeiro contato é com a Secretaria de Turismo, que faz o alinhamento com a segurança pública. Temos orientadores que reforçam a importância do guia local para conduzir o grupo em momentos como esse. Na hora, eles pediram para as pessoas abaixarem. Essas pessoas precisam entender que estão em uma favela, em uma área de complexidade. Nesses casos, os guias e monitores são treinados. Seguramos os turistas até o momento apto para descer.”
Moradores relataram que os disparos começaram no início da manhã e puderam ser ouvidos em bairros próximos, como Leblon e São Conrado, bairros da Zona Sul do Rio. Não há registro de feridos.
A trilha do Morro Dois Irmãos é uma das mais procuradas da cidade, mas moradores e guias reforçam que o passeio depende das condições de segurança na comunidade e recomendam sempre a contratação de guias locais.
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