Nutricionista explica como as redes sociais podem despertar a vontade de comer e incentivar modismos na alimentação
Você já abriu uma rede social sem estar com fome e, poucos minutos depois, ficou com vontade de pedir um hambúrguer, experimentar uma receita viral ou comprar um alimento que nunca pensou em consumir? Embora pareça apenas coincidência, esse comportamento pode ter relação com o algoritmo das plataformas digitais.
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Ao analisar os conteúdos com os quais o usuário interage, as redes sociais passam a exibir vídeos, receitas e propagandas semelhantes, criando um ciclo de exposição constante a alimentos e tendências gastronômicas. O resultado pode ser um aumento da vontade de comer, mesmo quando o organismo não está sinalizando fome.
Segundo a nutricionista Karoline Honorato, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera, o ambiente digital exerce um papel importante nas escolhas alimentares do dia a dia. “Nem sempre comemos porque estamos com fome. Muitas vezes, a vontade surge após estímulos externos, como imagens, vídeos ou propagandas. Quando esse tipo de conteúdo aparece repetidamente no feed, ele pode despertar desejo, curiosidade e até compras impulsivas”, explica.
A seguir, a nutricionista destaca algumas formas pelas quais o algoritmo pode influenciar a alimentação. Confira!
Ver imagens e vídeos de alimentos apetitosos pode estimular o desejo de comer, mesmo quando o corpo não precisa de energia naquele momento.
Receitas virais, dietas da moda e alimentos considerados “milagrosos” costumam ganhar grande visibilidade nas redes sociais. No entanto, nem sempre essas tendências têm respaldo científico ou são indicadas para todas as pessoas.
Quanto maior a exposição a determinados alimentos, maior a chance de despertar vontade de experimentá-los. Esse efeito pode ser potencializado quando aplicativos de entrega e anúncios aparecem logo após os vídeos.

Perfis de influenciadores podem apresentar rotinas alimentares muito específicas, que nem sempre refletem as necessidades nutricionais da maioria das pessoas. Comparações constantes também podem gerar culpa ou frustração em relação à própria alimentação.
Do café proteico às sobremesas virais, novos alimentos surgem diariamente nas redes. Embora experimentar novidades possa fazer parte de uma alimentação prazerosa, seguir todas as modas sem senso crítico pode levar ao consumo excessivo ou desnecessário.
Para criar uma relação mais saudável entre redes sociais e alimentação, segundo Karoline Honorato, o primeiro passo é desenvolver um olhar crítico sobre o que aparece no feed. “É importante lembrar que o algoritmo mostra aquilo que prende a nossa atenção, e não necessariamente o que faz bem para a saúde. Antes de seguir uma dieta ou comprar um produto porque ele viralizou, vale buscar informações em fontes confiáveis e avaliar se aquela recomendação realmente faz sentido para a sua rotina”, orienta.
Além disso, diversificar os perfis acompanhados, limitar o tempo de exposição às redes sociais e prestar atenção aos sinais reais de fome e saciedade são estratégias que ajudam a construir uma relação mais equilibrada com a alimentação e reduzem a influência dos estímulos digitais nas escolhas do dia a dia.
Por Priscila Dezidério
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