Um vídeo nas redes sociais sugere que mesários estariam votando em nome de eleitores ausentes após as 17h, mas essa alegação é infundada e não apresenta provas concretas de fraude.
A identificação dos eleitores envolve múltiplos procedimentos de segurança, como conferência de documentos e biometria, que garantem a integridade do processo eleitoral.
A Justiça Eleitoral esclareceu que a continuidade da votação após as 17h é para atender quem já estava na fila, e a redução da abstenção entre os turnos não indica irregularidades nas votações.
Um vídeo nas redes sociais levanta suspeitas de que mesários votariam no lugar de pessoas que não compareceram às urnas, após as 17h. Para sustentar a alegação, o autor questiona a identificação dos eleitores e aponta a redução da abstenção entre os dois turnos de 2022. Esses argumentos são falsos e não comprovam a existência do suposto esquema.
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A página Fato ou Boato já esclareceu que a continuidade da votação após as 17h garante o atendimento de quem chegou à fila dentro do horário. Isso não significa que mesários estejam registrando votos em nome de eleitores mortos ou ausentes.
O que é fato?
Conteúdo analisado
Um deputado federal afirma que mesários poderiam votar por eleitores ausentes após as 17h, utilizando a habilitação sem biometria e uma suposta ausência de conferência dos registros. Ele chama esses votos de “votos espíritas” e apresenta a queda da abstenção no segundo turno de 2022 como indício da prática, sem comprovar essa relação.
O vídeo também menciona o convite aos dois últimos eleitores para acompanhar o encerramento e convoca apoiadores de uma candidatura a fiscalizar as seções.
Por que é boato?
A identificação inclui conferência de documento oficial com foto e a fotografia disponível no terminal do mesário. A biometria é uma etapa adicional para confirmar a identidade da eleitora ou do eleitor.
Entenda o passo a passo
Quando a biometria não está cadastrada ou não é reconhecida após as quatro tentativas previstas, há um procedimento alternativo: a pessoa informa o ano de nascimento, que precisa coincidir com o dado que consta do cadastro eleitoral.
Entenda como a Justiça Eleitoral identifica o eleitor na seção e blinda a votação contra fraudes
Nesta situação, a eleitora ou o eleitor assina o Caderno de Votação, e a digital do mesário responsável pela liberação é coletada pela urna eletrônica. No momento que isso ocorre, a biometria do mesário é confrontada com todas as biometrias que a urna conhece como sendo de mesários. No log da urna, então, também fica registrado qual mesário fez a liberação.
Juntos, esses mecanismos reduzem significativamente a possibilidade de que qualquer pessoa vote em lugar de um eleitor ausente.
Nos casos de falha no reconhecimento biométrico, a última impressão digital apresentada pelo eleitor também fica registrada na urna e é transmitida ao TSE ao final da votação. Esses dados permitem investigar suspeitas e identificar quem autorizou a habilitação. Além disso, qualquer ocorrência fora do padrão é anotada pelos mesários em ata.
A votação depois das 17h atende quem já estava na fila
Às 17h, são distribuídas senhas às pessoas que aguardam para votar. O atendimento continua até que a última delas exerça esse direito. Assim, o horário do registro de um voto não indica irregularidade. Vale lembrar que os dois últimos eleitores são convidados a acompanhar o encerramento e receber uma cópia do Boletim de Urna (BU).
Essa participação amplia a transparência, mas não é o único mecanismo de fiscalização: representantes de partidos, federações e coligações podem acompanhar os trabalhos, e as ocorrências são registradas em ata.
Leia a nota de esclarecimento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul.
Queda da abstenção não comprova votos atribuídos a ausentes
Em 2022, a abstenção passou de 20,93% no 1º turno para 20,57% no 2º turno, uma redução de 0,36 ponto percentual, equivalente a uma queda de 1,72%. Os números são públicos e foram divulgados pelo TSE.
O dado confirma que houve maior comparecimento proporcional no 2º turno, mas não demonstra que mesários tenham votado por pessoas ausentes.
Comunicações de falecimento geram impedimentos ao voto
Há procedimentos específicos para evitar o uso de inscrições de pessoas falecidas. O cancelamento é realizado continuamente com base nas informações encaminhadas pelos cartórios de registro civil pelo Sistema de Informações de Óbitos e Direitos Políticos (Infodip).
Quando o processamento permite a atualização antes da elaboração das folhas de votação, os nomes deixam de constar desses documentos. Já as comunicações recebidas próximo à eleição, quando não é mais possível atualizar o sistema a tempo de retirar o nome, dão origem a anotações de impedimento nas folhas de votação.
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