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Mundo pode ficar sem cerveja e a culpa é do aquecimento global

Por Eduardo Sant’Anna
17/01/2026
Mundo pode ficar sem cerveja e a culpa é do aquecimento global

Pixabay/Reprodução

O aquecimento global pode trazer consequências que vão muito além dos eventos climáticos extremos. Segundo a Asahi, uma das maiores cervejarias do mundo, o planeta corre o risco de enfrentar escassez de cerveja nas próximas décadas devido aos impactos das mudanças climáticas sobre a produção de cevada e lúpulo, ingredientes essenciais da bebida.

Alerta da Asahi sobre o futuro da cerveja

O executivo-chefe da Asahi, Atsushi Katsuki, afirmou que estudos conduzidos pela empresa indicam que o aumento das temperaturas deve reduzir de forma significativa tanto o rendimento da cevada quanto a qualidade do lúpulo nos próximos 30 anos. O cenário acende um alerta para a indústria cervejeira global.

“Existe o risco de não conseguirmos produzir cerveja suficiente”, disse Katsuki em entrevista ao Financial Times. Segundo ele, embora o consumo de cerveja possa até aumentar com o clima mais quente, a oferta pode não acompanhar essa demanda.

Queda na produção de cevada e lúpulo

De acordo com as projeções da Asahi, em um cenário extremo de aquecimento de 4 °C, o mais severo considerado pela ONU, a colheita de cevada da primavera na França pode cair 18% até 2050. Na Polônia, a redução seria de 15%. Já a qualidade do lúpulo, fundamental para o sabor e a conservação da cerveja, pode cair 25% na República Checa, um dos maiores produtores mundiais.

Mesmo em um cenário mais otimista, com aquecimento abaixo de 2 °C, as perdas ainda seriam relevantes: redução de 10% na cevada francesa, 9% na polonesa e queda de 13% na qualidade do lúpulo checo. Atualmente, o mundo caminha para um aumento médio de temperatura de até 2,6 °C, segundo o mais recente balanço da ONU.

Impactos já sentidos no preço da cevada

Katsuki destacou que o clima instável já vem afetando as colheitas nos últimos anos. Em 2022, os preços europeus do malte e da cevada para malte atingiram níveis recordes, pressionando as cervejarias. Mesmo com alguma normalização, o custo da colheita de 2023 ficou cerca de 100 euros acima da média histórica.

Segundo o executivo, as mudanças climáticas tiveram impacto maior no preço da cevada do que até mesmo a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Indústria busca soluções para mitigar riscos

Diante do cenário, Katsuki defende uma atuação conjunta. “Não estamos apenas tomando medidas próprias, mas precisamos trabalhar com outros membros da indústria e com a sociedade em geral. Temos de trabalhar todos juntos para mitigar os riscos das alterações climáticas”, afirmou.

A Asahi firmou parcerias com a Microsoft e uma empresa de agrotecnologia para monitorar volume e qualidade das colheitas. Além disso, a partir de janeiro, a companhia inaugura um centro global de compras em Cingapura para centralizar o fornecimento de ingredientes e reduzir riscos na cadeia de abastecimento.

Esforços globais das cervejarias

Outras grandes cervejarias também investem em soluções. A Anheuser-Busch InBev aposta em variedades de cevada resistentes à seca na África, enquanto a Carlsberg planeja adotar práticas agrícolas totalmente regenerativas até 2040.

A Asahi, dona de marcas como Asahi Super Dry, Peroni Nastro Azzurro e Pilsner Urquell, pretende fortalecer sua posição global. Katsuki afirmou que a ambição é colocar a Asahi Super Dry e a Peroni entre as dez maiores marcas de cerveja do mundo até 2030.

Mercado e planos de expansão

Em 2022, a Asahi detinha 3,4% do mercado global, bem abaixo da AB InBev (27,6%) e da Heineken (13,3%). Avaliada em cerca de US$ 19,8 bilhões, a empresa reduziu aquisições recentes para controlar a dívida, mas planeja voltar a investir a partir de 2025, inclusive em fusões.

Para Katsuki, a América do Norte é o mercado mais promissor, embora existam poucas oportunidades de adquirir grandes cervejarias. Ainda assim, ele acredita que a diversificação de marcas e investimentos em bebidas com baixo ou zero álcool dão à Asahi uma vantagem competitiva em um cenário cada vez mais desafiador.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Eduardo Sant’Anna

Eduardo Sant’Anna

Jornalista apaixonado por esportes. Experiência em redação, produção de textos e elaboração de pautas.

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