Se você toma café com adoçante, os cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, querem entender você. Os pesquisadores abriram um tipo de recrutamento para um estudo que pode interessar a quem troca açúcar por adoçante no café, em bebidas e alimentos.
A equipe quer entender como essas substâncias agem no organismo e se podem interferir no controle da glicose e no desenvolvimento do diabetes tipo 2.
O convite aos voluntários marca o início de uma investigação sobre cinco dos adoçantes mais consumidos no mundo: aspartame, estévia, sucralose, sacarina e acessulfame de potássio. A pesquisa vai observar a interação desses produtos com órgãos envolvidos na regulação do açúcar no sangue, como intestino, pâncreas e rins. Os cientistas também pretendem avaliar possíveis efeitos sobre a microbiota intestinal.
Estudo quer entender efeitos além das calorias
“Muitas pessoas que procuram controlar o peso ou os níveis de açúcar no sangue optam por adoçantes de baixa caloria porque acreditam que são mais saudáveis”, afirmou Tongzhi Wu, professor associado da Universidade de Adelaide e pesquisador do estudo, em comunicado. Segundo ele, evidências crescentes sugerem que esses produtos podem não ser metabolicamente neutros.
O copesquisador Chris Rayner afirmou que reduzir açúcar pode ajudar, mas a troca não é tão simples quanto parece. Para ele, ainda faltam respostas sobre como os adoçantes influenciam o metabolismo ao longo dos anos.
O debate ocorre em meio ao avanço do diabetes no Brasil. Dados do Ministério da Saúde, divulgados no Vigitel 2025, mostram que a prevalência da doença subiu de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024.
A iniciativa não significa que o adoçante deva ser abandonado nem conclui que ele provoque diabetes. O foco é preencher lacunas sobre os impactos metabólicos de longo prazo de substâncias frequentemente associadas a dietas com menos açúcar.





