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China está criando peixes no deserto que era considerado o mais perigoso do mundo

Por Julia da Silva
08/02/2026
China está criando peixes no deserto que era considerado o mais perigoso do mundo

Imagem: Xinhua News Agency (新华网)

Durante séculos, atravessar o Deserto de Taklamakan era quase uma sentença de morte. Localizado no oeste da China, o território ficou famoso pelas dunas instáveis, pelo calor extremo e pela escassez absoluta de água. Mercadores da antiga Rota da Seda evitavam a região sempre que possível. Hoje, esse mesmo deserto abriga algo impensável: tanques cheios de peixes e camarões.

A transformação começou de forma silenciosa, impulsionada por tecnologia e planejamento estratégico. Em vez de tentar “domar” o solo para a agricultura tradicional — praticamente impossível devido à alta concentração de sal — engenheiros chineses apostaram em um caminho alternativo: a aquicultura em ambiente controlado.

Um mar artificial no meio da areia

A água usada nos tanques vem de aquíferos salinos subterrâneos. Após tratamento químico, ela passa a ter composição semelhante à da água do mar. Com ajustes precisos de salinidade, pH e temperatura, o ambiente se torna ideal para espécies como camarões e peixes marinhos, mesmo em pleno deserto.

Os sistemas funcionam em circuito fechado, com recirculação constante da água, o que reduz perdas e aumenta o controle sanitário. Sensores monitoram tudo em tempo real, compensando as variações extremas de temperatura do deserto, que podem ir do frio intenso ao calor escaldante em poucas horas.

Só em 2024, a produção da região ultrapassou 190 mil toneladas de peixes e frutos do mar. O objetivo vai além da inovação técnica: trata-se de reduzir a dependência chinesa da pesca oceânica e das importações, levando alimento fresco para áreas distantes do litoral.

Ainda assim, o projeto levanta debates. O Taklamakan recebe menos de 100 milímetros de chuva por ano, e o uso contínuo de água subterrânea preocupa especialistas. A grande questão é se esse modelo pode se sustentar no longo prazo sem comprometer reservas naturais. Por enquanto, o deserto virou um laboratório a céu aberto.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Julia da Silva

Julia da Silva

Jornalista com experiência em textos jornalísticos e de redação criativa, interessada pelo mundo e por boas histórias.

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