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O que acontece no cérebro de quem é viciado nos “joguinhos de celular”?

Por Julia da Silva
04/03/2026
O que acontece no cérebro de quem é viciado nos “joguinhos de celular”?

Créditos: Freepik

Eles parecem inofensivos, coloridos e rápidos — perfeitos para passar o tempo na fila ou antes de dormir. Mas os “joguinhos de celular” fazem algo bem específico no cérebro: treinam habilidades pontuais, sem transformar isso, necessariamente, em inteligência prática para a vida real.

Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, jogos digitais estimulam funções como atenção, velocidade de raciocínio e memória de curto prazo, especialmente quando exigem repetição e respostas rápidas. O cérebro aprende a ficar melhor naquele desafio específico. O problema começa quando se espera que esse treino se reflita fora da tela.

Jogos proporcionam melhoria cognitiva de crianças a idosos

Na neurociência, isso é chamado de “transferência cognitiva”. A chamada transferência próxima — melhorar em tarefas parecidas com o jogo — acontece com certa frequência. Já a transferência distante, que seria organizar melhor a rotina, manter foco em reuniões ou lembrar compromissos, é rara. Em outras palavras: ser ágil no aplicativo não garante mais eficiência no cotidiano.

Por isso, não há evidência científica sólida de que jogos de celular previnam demência. Estudos mostram pequenas melhoras cognitivas, mas não redução comprovada do risco da doença. O que realmente protege o cérebro ao longo da vida continua sendo menos tecnológico: atividade física regular, controle da pressão e da glicemia, sono adequado e interação social.

Entre idosos, os jogos podem ajudar como estímulo complementar, desde que sejam simples e bem adaptados. Interfaces confusas, letras pequenas ou desafios excessivos tendem a gerar frustração e abandono — o efeito oposto do desejado.

Já em crianças e adolescentes, pesquisas indicam melhor desempenho em tarefas de atenção e memória entre quem joga videogame com frequência. Ainda assim, os próprios autores alertam: isso não significa liberação irrestrita de tempo de tela, nem benefício automático para todas as áreas cognitivas.

O consenso é científico: jogos podem estimular o cérebro, mas não substituem hábitos saudáveis contínuos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Julia da Silva

Julia da Silva

Jornalista com experiência em textos jornalísticos e de redação criativa, interessada pelo mundo e por boas histórias.

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