Pode parecer surpreendente, mas bebês muito antes de aprenderem a falar já demonstram preferências sociais claras. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale revelou que, a partir dos seis meses de idade, crianças já são capazes de “escolher” de quem gostam — com base apenas na observação de comportamentos.
Na pesquisa, bebês de 6 e 10 meses assistiram a uma animação simples: um personagem tentava subir uma colina. Em cena, duas figuras geométricas desempenhavam papéis opostos — uma ajudava o personagem a alcançar o topo, enquanto a outra dificultava sua subida. Em seguida, os bebês podiam escolher entre os dois “personagens”.
O resultado chamou atenção dos cientistas: a maioria estendia a mão para o ajudante, evitando aquele que agia de forma negativa. Mesmo sem linguagem ou compreensão cultural, os bebês já demonstravam uma preferência consistente por comportamentos considerados “positivos”.
Julgamento social começa antes do que se imaginava
A descoberta desafia ideias antigas sobre o desenvolvimento infantil. Até então, acreditava-se que esse tipo de julgamento surgia apenas entre 18 e 24 meses. No entanto, o estudo indica que os primeiros sinais de avaliação social aparecem muito antes, ligados à chamada Cognição Social.
Isso não significa que bebês possuam um senso moral completo, como adultos. Segundo os pesquisadores, trata-se de uma base inicial — uma tendência natural de reconhecer atitudes de cooperação ou prejuízo.
A partir desse ponto, fatores como ambiente familiar, vínculos afetivos e experiências sociais passam a moldar essas percepções. Em outras palavras, os bebês já chegam ao mundo com uma espécie de “bússola social”, que será refinada ao longo do desenvolvimento.
Para especialistas, os resultados reforçam a importância de interações positivas desde os primeiros meses de vida, já que o cérebro infantil está, desde cedo, atento a quem ajuda — e a quem atrapalha.





