O governo federal prepara uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, o chamado Desenrola 2.0, que pode trazer uma mudança significativa para quem aderir: a restrição do acesso a plataformas de apostas online, conhecidas como bets.
A proposta ainda está em fase final de elaboração, mas já indica uma estratégia mais rígida para evitar que beneficiários voltem a se endividar após renegociar suas dívidas.
Governo quer impedir novo endividamento com apostas
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a possibilidade essa manobra pode ser feita porque não não faz sentido renegociar dívidas e permitir que o cidadão volte rapidamente ao ciclo de inadimplência por meio de jogos online.
A medida surge como resposta ao crescimento do endividamento associado às bets. Conforme dados de um estudo realizado pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School, divulgado este ano, as Bets se transformaram no maior fator de endividamento das famílias brasileiras.
Ainda não há definição oficial do governo sobre qual modelo será adotado, mas a tendência é de regras mais duras para garantir a efetividade do programa.
Foco do Desenrola 2.0 será população de baixa renda
Assim como na primeira fase, o Desenrola 2.0 deve priorizar pessoas de baixa renda, incluindo beneficiários de programas sociais. Dados discutidos pelo governo indicam que uma parcela significativa desse público está com o nome negativado, o que reforça a necessidade de medidas mais estruturais para evitar recaídas financeiras.
Além disso, há estudos para:
- permitir o uso do FGTS na quitação de dívidas;
- ampliar o alcance para trabalhadores informais e pequenos empreendedores;
- oferecer condições mais vantajosas de renegociação.
- Restrições às bets já vêm sendo adotadas no Brasil
A ideia de limitar o acesso de beneficiários a apostas não é inédita. Em 2025, o governo já implementou regras que impedem pessoas inscritas em programas sociais de utilizarem plataformas de apostas.
Na prática, as empresas do setor são obrigadas a verificar o CPF dos usuários, bloquear contas de beneficiários e impedir depósitos e novas apostas. Essa política foi adotada após decisões judiciais e alertas sobre o uso indevido de recursos públicos em jogos online.





