As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 continuam revelando novos impactos mesmo dois anos após o desastre. Um levantamento inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou aproximadamente 6,3 milhões de pessoas sendo atingidas ainda pelos efeitos das inundações, tornando o episódio um dos maiores desastres climáticos já registrados no país.
O estudo amplia a dimensão conhecida da tragédia ao mostrar que os efeitos foram muito além das áreas diretamente alagadas. A pesquisa avaliou moradores de 133 municípios gaúchos e identificou consequências relacionadas à moradia, deslocamento, saúde mental e acesso a serviços essenciais.
Pesquisa mostra impactos que permaneceram após as enchentes
De acordo com o IBGE, os mais de 6 milhões de moradores estimados na área pesquisada sofreram algum tipo de impacto provocado pelas enchentes. A análise faz parte da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), desenvolvida para compreender como o desastre alterou a vida da população mesmo após o fim das chuvas.
O levantamento também estimou que a região analisada reunia cerca de 2,3 milhões de domicílios. Em grande parte deles foram registrados problemas decorrentes da inundação, como danos estruturais, interrupção no fornecimento de água, energia elétrica e internet, além de prejuízos materiais de diferentes níveis.
Mudança de endereço atingiu centenas de milhares de pessoas
Outro dado que chama atenção envolve o deslocamento da população após o desastre climático. Segundo o estudo, 14,6% dos moradores precisaram mudar de endereço depois das enchentes.
Esse indicador demonstra que os impactos não ficaram restritos ao período da emergência. Em muitos casos, famílias deixaram suas residências por causa da destruição dos imóveis ou das condições inadequadas para retornar, modificando a dinâmica de diversas cidades atingidas.
Saúde mental apareceu entre os principais efeitos da tragédia
Além dos danos físicos, a pesquisa revelou um forte impacto emocional entre os moradores. Mais de 67,5 das pessoas entrevistaram afirmaram sofrer com algum dano psicológico devido à tragédia.
Levantamento deve orientar políticas públicas
Segundo o IBGE, a pesquisa foi desenvolvida para oferecer um retrato detalhado das consequências sociais provocadas pelas enchentes de 2024. A intenção é fornecer informações que auxiliem governos e órgãos públicos na elaboração de políticas voltadas tanto à reconstrução quanto à preparação para futuros eventos climáticos.
Dessa forma, o estudo reforça que a maior tragédia climática da história recente do Rio Grande do Sul continua produzindo efeitos sobre a população, mesmo após o encerramento da fase emergencial. Os dados também ajudam a compreender que o impacto de um desastre dessa magnitude não pode ser medido apenas pelo número de vítimas ou pelos prejuízos materiais, mas também pelas transformações sociais provocadas ao longo do tempo.





