O futebol brasileiro vive uma nova disputa fora das quatro linhas: a briga pelos direitos de transmissão. Durante décadas, a Globo construiu uma posição dominante na exibição das principais competições nacionais, mas o avanço de novos modelos de mídia e a entrada de concorrentes passaram a modificar esse cenário. Agora, a Copa do Brasil pode se tornar mais um torneio envolvido nessa transformação e uma nova emissora ameaça o domínio da empresa carioca.
Acontece que, conforme noticiado pelo portal Terra, a Record entrou no radar da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como uma das possíveis responsáveis por exibir o torneio no próximo ciclo comercial, entre 2027 e 2030, movimento que pode alterar o equilíbrio de forças no mercado esportivo.
A emissora de Edir Macedo já possui parceria com a entidade para a transmissão do Campeonato Brasileiro e agora passou a ser considerada uma alternativa para a competição de mata-mata. A negociação faz parte de uma estratégia da CBF para ampliar a distribuição dos direitos e aumentar o valor comercial do campeonato.
Record avalia proposta antes de avançar
Apesar do interesse da CBF, a Record ainda não definiu se apresentará uma oferta oficial pela Copa do Brasil. A emissora analisa principalmente dois pontos: o potencial de retorno comercial do acordo e o formato dos pacotes de jogos que estarão disponíveis para negociação.
Essa avaliação é necessária porque os direitos esportivos envolvem investimentos elevados e precisam gerar retorno por meio de audiência, publicidade e fortalecimento da marca.
Dessa forma, a emissora ainda estuda o cenário antes de decidir se entrará efetivamente na disputa pelo torneio nacional.
CBF busca dividir direitos da competição
A possível entrada da Record não significa necessariamente que a Globo deixará de transmitir a Copa do Brasil. O planejamento da CBF é trabalhar com diferentes pacotes de direitos, permitindo que mais de uma empresa participe da exibição das partidas.
Esse modelo representa uma mudança em relação ao formato de exclusividade que marcou parte da história das transmissões esportivas no país. A ideia da entidade é ampliar a exposição do campeonato e criar uma disputa maior entre empresas interessadas.
Na prática, a Globo só ficaria completamente fora da competição caso a CBF optasse por vender todos os direitos para um único canal.
Movimento pode encerrar exclusividade histórica
A aproximação com a Record representa um possível fim do domínio exclusivo da Globo sobre a Copa do Brasil. A emissora carioca é atualmente uma das principais detentoras dos direitos do torneio, ao lado da Amazon.
Caso a estratégia de fragmentação avance, a competição poderá aparecer em diferentes plataformas, aumentando as opções para o torcedor acompanhar os jogos.
CBF mira arrecadação recorde com novo contrato
Além da questão de visibilidade, a disputa pelos direitos tem um objetivo financeiro. A CBF trabalha com a expectativa de arrecadar aproximadamente R$ 1 bilhão no próximo ciclo da Copa do Brasil, valor superior ao atual acordo da competição.
Atualmente, Globo e Amazon possuem contratos que garantem receitas próximas de R$ 700 milhões para o torneio. A intenção da entidade é aumentar esse montante por meio da concorrência entre empresas interessadas.





