No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia reformulou suas metas de controle do LDL, conhecido como o colesterol ruim, e passou a recomendar limites mais baixos para praticamente todos os grupos de risco.
Assim, após a mudança nos parâmetros, quem achava que estava seguro pode descobrir que precisa agir.
A mudança mais significativa atinge quem tem baixo risco cardiovascular: o limite caiu de 130 mg/dL para 115 mg/dL.
Acima de 145 mg/dL, a diretriz já sugere considerar medicamentos, e não apenas mudanças de hábitos.
Pela primeira vez, a diretriz também reconhece uma categoria de risco extremo para quem já sofreu infarto, AVC ou outros eventos cardíacos graves.
Nível seguro de colesterol diminui e você pode estar em grupo de risco sem saber
Os alvos variam conforme o risco cardiovascular de cada pessoa.
Quanto mais próximo alguém está de um evento cardíaco, mais rigoroso deve ser o controle do colesterol.
As cinco faixas de risco agora têm limites bem definidos:
- Baixo risco fica abaixo de 115 mg/dL;
- Risco intermediário abaixo de 100 mg/dL;
- Alto risco, abaixo de 70 mg/dL;
- Muito alto risco, abaixo de 50 mg/dL.
A categoria mais severa, o risco extremo, exige o LDL abaixo de 40 mg/dL, o menor patamar da nova diretriz.
Essa classificação inclui pacientes que já tiveram múltiplos eventos cardiovasculares ou um evento combinado com pelo menos duas condições de alto risco, como diabetes, tabagismo ou doença renal crônica.
Com isso, a atualização reconhece o risco maior de novos episódios entre pessoas que já tiveram infarto ou derrame.
O colesterol não-hdl entrou na conta
A revisão também criou metas para o colesterol não-HDL, um indicador que engloba todas as partículas prejudiciais circulando nas artérias.
Os limites para ele ficam 30 mg/dL acima dos respectivos tetos de LDL: baixo risco, 145 mg/dL; intermediário, 130 mg/dL; alto, 100 mg/dL; muito alto, 80 mg/dL; extremo, 70 mg/dL.
A diretriz agora recomenda que todos os adultos façam ao menos uma vez na vida o teste de lipoproteína(a), que é uma partícula que aumenta o risco de entupimento das artérias em até cinco vezes em comparação com o LDL sozinho.
A atualização também incorporou a apolipoproteína B como novo marcador de risco.
O exame de apolipoproteína B ainda não tem cobertura ampla: não está disponível no SUS, e poucos convênios o cobrem.
Quando começar medicamentos
O primeiro passo é mudar o estilo de vida: alimentação equilibrada e atividade física regular.
Se o LDL permanecer elevado mesmo com essas mudanças, os medicamentos entram em cena.
Para quem tem baixo risco e o colesterol ultrapassa 145 mg/dL, a diretriz já sugere considerar remédios, em vez de apenas esperar novos ajustes de hábitos.
O objetivo da atualização é direto: impedir a obstrução das artérias que causa ataques cardíacos e derrames.
Como o colesterol elevado não dá sinais, não dói nem avisa, conhecer seus números e saber em qual faixa de risco você se encaixa se tornou ainda mais importante com as novas recomendações.





