Bill Gates publicou, nesta quarta-feira (26), um ensaio de quase 6 mil palavras em seu site pessoal, no qual detalha quais profissões correm risco mais imediato de substituição pela inteligência artificial.
O cofundador da Microsoft dirige o alerta especialmente aos trabalhadores mais jovens, hoje concentrados nos cargos considerados mais vulneráveis.
Vendas, atendimento e programação estão entre os alvos imediatos
Segundo Gates, funções de vendas, atendimento ao consumidor por telefone ou digital, engenharia de software e serviços jurídicos em estágio inicial se destacam entre as áreas que devem sentir o impacto mais rápido da automação.
O bilionário também cita tarefas que até hoje dependiam exclusivamente de especialistas humanos, como avaliações de crédito, tabulação de dados e triagem hospitalar, como funções que já começam a ser assumidas por ferramentas de inteligência artificial.
Gates apresenta um dado para sustentar o argumento: a taxa de ocupação já caiu de forma expressiva entre jovens em atividades suscetíveis à substituição digital, um movimento que não se repete entre faixas etárias mais experientes.
Para ele, essa geração enfrenta uma retração na oferta de vagas iniciais justamente no momento em que tenta construir a própria trajetória profissional.
Executivo rejeita comparação com revoluções tecnológicas do passado
O empresário recusa a comparação, comum entre analistas, com saltos tecnológicos anteriores, que historicamente geraram mais empregos do que extinguiram no longo prazo.
Segundo Gates, a diferença está na natureza da substituição: a inteligência artificial atua no lugar do próprio raciocínio humano, e não apenas como ferramenta de apoio, o que acelera e amplia a escala do deslocamento de mão de obra.
No mesmo texto, Gates lista outros dois riscos que considera centrais no avanço da tecnologia: o fortalecimento de criminosos, que passam a contar com fraude, desinformação, deepfakes e vigilância em escala antes inacessível para agentes com pouca habilidade técnica; e o possível prejuízo ao desenvolvimento infantil, causado por companheiros de inteligência artificial que tendem a validar a criança em vez de desafiá-la a sair da zona de conforto.
“A IA será o maior equalizador já inventado, ou a pior fonte de injustiça”, resume Gates no ensaio.





